CUT e demais centrais defendem mobilização para aprovação da isenção do IR

A vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira e representantes das demais centrais sindicais: UGT, CSB, CTB, Intersindical, Nova Central e Força Sindical defenderam nesta quinta-feira (7), uma mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras para que o Congresso Nacional aprove o projeto do Presidente Lula que isenta quem tem renda de até R$ 5 mil mensais do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), durante a “Jornada Nacional de Debates – Reforma do imposto de renda: um passo para justiça tributária “ realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na sede da capital de São Paulo.

“Ou nós nos mobilizamos, ou então, sequer, vamos manter aquilo que a gente já conquistou”, alertou Juvandia, numa referência à atuação da oposição ao governo federal, que não quer taxar os mais ricos com rendimento de R$ 600 mil ao ano para que haja uma compensação na arrecadação da União, que perderá com a redução do imposto para quem ganha menos.

É preciso tributar o andar de cima, não é só isentar o andar de baixo porque, senão, eles vão tirar depois de outras políticas sociais, do orçamento da saúde, da educação, do Bolsa Família, ou o que eles chamam de gastos do governo. Porque eles não vão querer tirar dos super ricos- Juvandia Moreira

Ela ressaltou ainda que os ricos recebem lucros e dividendos e não pagam nada, enquanto o Trabalhador paga imposto sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em torno de 5,5% de alíquota.

A diretora-executiva do Dieese, Adriana Marcolino, que palestrou sobre o imposto de renda, destacou a importância de atualizar a tabela como um primeiro passo para melhorar a distribuição de renda no Brasil, muito desigual.

Adriana Marcolino

“Os mais ricos se apropriam muito mais do que os mais pobres, mas numa proporção gigantesca a ponto do Brasil ser um dos países mais desiguais do mundo. E de outro lado, a tributação que poderia equilibrar isso, ela faz o contrário. Ela cobra proporcionalmente mais dos mais pobres e menos dos mais ricos”, explicou.

Além da isenção e correção da tabela do IR, Adriana afirmou que são necessárias outras medidas, como por exemplo, a cobrança de imposto sobre propriedade rural e de transmissão de heranças.

“Tem vários elementos no Brasil relacionados à tributação da renda e da propriedade que distorcem essa capacidade contributiva de cada cidadão. Então, aqui quem tem uma capacidade contributiva menor, paga mais imposto. Por isso a gente precisa revisar todos esses impostos que incidem sobre renda e propriedade. Essa atualização da tabela do imposto de renda é um primeiro passo muito significativo nesse sentido”, declarou.

Plebiscito Popular e as eleições de 2026

A vice-presidenta da CUT defendeu que o ideal é corrigir a tabela do IR para promover a justiça tributária no país, mas que é preciso apoio do povo brasileiro e isso pode ser feito por meio do voto no Plebiscito Popular, para que a população apoie a isenção do imposto de renda e o fim da escala de trabalho 6 por um. Vote aqui.

“E não é só pegar voto, é explicar por que, é pedir para fazer pressão, é cobrar os deputados porque nós estamos disputando com essa pauta as eleições de 2026. É isso que está em jogo. A grande imprensa já está estimulando uma candidatura de direita, liberal, que quer aprofundar a reforma trabalhista, que não quer saber de investimento no povo, não quer saber de distribuição de renda, não quer saber de empresa pública forte, serviço público forte, nem dos cuidados com a agricultura familiar”, declarou Juvandia.

Ela também demonstrou preocupação com a taxação de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras, mas para ela, o pano de fundo não é para salvar a família Bolsonaro, para ter uma candidatura aliada a ele no Brasil.

“O Brasil é um país muito importante para a América Latina e para o mundo”, declarou Juvandia.

Para a dirigente essa é uma batalha gigante para a classe trabalhadora, uma das mais importantes que vai definir como é que vai ser o Brasil daqui para frente e o tema do imposto de renda é um tema chave para 2016.

Juvandia acredita que para se promover alguma justiça tributária, a isenção até R$ 5 mil ainda está longe de ser a ideal, mas se as centrais continuarem unidas em torno desse tema, e esclarecerem as pessoas sobre esse debate, de que os trabalhadores pagam muito e os ricos não pagam nada, a justiça tributária será uma proposta revolucionária para as eleições presidenciais do próximo ano.

A Jornada Nacional de Debates – Reforma do imposto de renda: um passo para justiça tributária

O evento está sendo realizado nos 17 estados onde há escritório regional do Dieese, entre agosto e setembro. No último dia 4 foi realizado em Pernambuco.

Confira a programação nos demais estados:

12 de agosto

Rio de Janeiro
Horário: 15h
Local: Auditório do Sinpro Rio
Endereço: rua Pedro Lessa, 35, 2º andar, Cinelândia, Rio de Janeiro
Mais informações: (21) 97675-1024 e errj@dieese.org.br

13 de agosto

Sergipe
Horário: 9h
Local: Auditório do Sindifisco-SE
Endereço: rua Jornalista João Batista de Santana, 1.914, Coroa do Meio, Aracaju
Mais informações: (79) 99600-4993 e erse@dieese.org.br

Ceará
Horário: 14h
Local: Fundação Sintaf
Endereço: rua Padre Mororó, 952 – Centro, Fortaleza
Mais informações: (85) 98736-2165 e erce@dieese.org.br

Distrito Federal
Horário: 14h30
Local: Auditório do Sindicato dos Bancários de Brasília
Endereço: EQS 314/315 SUL, 1° andar, Asa Sul, Brasília
Mais informações: (61) 98404-8306 e erdf@dieese.org.br

14 de agosto

Santa Catarina
Horário: 9h30
Local: Fetaesc
Endereço: avenida Leoberto Leal, 976, Barreiros, São José
Mais informações: (48) 99199-8762 e ersc@dieese.org.br

Bahia
Horário: 14h30
Local: Auditório do Sindicato dos Químicos da Bahia
Endereço: rua Marujos do Brasil, 20, Nazaré, Salvador
Mais informações: (71) 98802-8318 e erba@dieese.org.br

15 de agosto

Goiás
Horário: 9h
Local: Auditório do Sinpro-GO
Endereço: avenida Independência, 942, Quadra 943, Lote 33, Setor Leste, Vila Nova, Goiânia
Mais informações: (62) 99272-0539 e ergo@dieese.org.br

18 de agosto

Pará
Horário: 9h
Local: Auditório do Sindicato dos Urbanitários do Pará
Endereço: avenida Duque de Caxias, 1.234, Marco, Belém
Mais informações: (91) 98805-6505 e erpa@dieese.org.br

19 de agosto

Paraná
Horário: 13h30
Local: Espaço Cultural e Esportivo do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região
Endereço: rua Piquiri, 380, Rebouças, Curitiba
Mais informações: (41) 99967-1461 e erpr@dieese.org.br

28 de agosto

Espírito Santo
Horário: 10h
Local: Sindfer ES MG
Endereço: avenida Governador Bley, 186, Centro, Vitória
Mais informações: (27) 99624-7090 e eres@dieese.org.br

Sindicato realiza assembleia na Bridgestone e denuncia condições precárias de trabalho

O Sindicato dos Borracheiros de Camaçari, Salvador e Região Metropolitana (Sindborracha) realizou, na manhã desta sexta-feira (1º), uma assembleia na unidade da Bridgestone, localizada em Camaçari. A mobilização teve como objetivo discutir denúncias relacionadas às condições de trabalho na fábrica e, segundo o sindicato, funcionou como uma advertência formal à empresa.

De acordo com o presidente do Sindborracha, Josué Pereira, os trabalhadores têm enfrentado situações graves, como falta de treinamento, acúmulo de funções e episódios de assédio moral, além de condições precárias no ambiente de trabalho.

“Hoje a gente está fazendo uma assembleia de advertência para a empresa, porque nós não vamos ficar sentados em mesa de reunião todos os meses, apontando que tem coisas erradas aí dentro, e ninguém toma providência”, declarou o sindicalista durante o ato.

O sindicato informou que irá oficiar a empresa formalmente, cobrando respostas e providências quanto às denúncias apresentadas. A Bridgestone terá um prazo de 30 dias para responder. Caso não haja retorno dentro do período estipulado, o Sindborracha ameaça realizar uma paralisação de 24 horas na fábrica como forma de protesto.

Sindborracha Camaçari participa da IIª Plenária Temática da CUT na UFBA

O Sindborracha Camaçari marcou presença na IIª Plenária Temática da CUT, realizada nesta sexta-feira (18), na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. O encontro teve como foco o fortalecimento da democracia, da unidade de ação e da mobilização popular, reunindo lideranças sindicais, militantes e representantes de movimentos sociais de diversas frentes.

A participação do sindicato reafirma o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e democrática, baseada na participação popular e na defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora.

Durante a plenária, foram debatidas estratégias de resistência, políticas de reconstrução nacional com inclusão social e o papel das entidades sindicais na promoção de mudanças estruturais no país. O Sindborracha somou forças com a CUT e demais organizações presentes, reforçando seu papel ativo nas lutas coletivas.

Lira dá parecer favorável a proposta de isenção do IR e tributação para alta renda

Relator do PL em comissão especial, deputado ampliou a faixa de isenção parcial para R$ 7.350

O deputado federal Arthur Lira (Progressistas-AL) apresentou nesta quinta-feira (10) um parecer favorável à aprovação do projeto de lei de autoria do Poder Executivo que visa isentar da cobrança de imposto de renda pessoas que ganhem até R$ 5 mil por mês. Ele é o relator do PL na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Sua proposta ainda aumenta o valor do rendimento mensal para a redução progressiva da alíquota de R$ 7 mil para R$ 7,35 mil. 

O parecer de Lira dever ser colocado em votação na comissão na próxima semana. Para entrar em vigor em 2026, o PL precisa ser aprovado pelas Câmara e pelo Senado e sancionado até 30 de setembro. O prazo decorre da noventena prevista na Constituição: matérias que alterem regras tributárias começam a valer 90 dias depois de sua aprovação.

De acordo com Lira, a proposta é compatível com a Constituição Federal e com as diretrizes orçamentárias e financeiras, e busca assegurar a sustentabilidade das contas públicas. 

Segundo a proposta, além de manter e até ampliar a proposta de isenção, o ex-presidente da Câmara propõe a redução de imposto sobre rendimentos sujeitos a incidência anual. 

Para rendimentos anuais até R$ 60 mil, haverá uma redução de R$ 2.694,15, resultando em imposto zero. Para rendimentos entre R$ 60 mil e R$ 84 mil, uma fórmula específica será aplicada para uma redução que decresce linearmente até zerar para rendimentos de R$ 84 mil. Contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 84 mil não terão direito à redução. A declaração de ajuste anual terá o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a R$ 16.754,34 para o ano-calendário de 2025, e alterado para R$ 16.800,00 a partir de 2026.

Se não houver modificação no projeto, também haverá uma tributação mínima da pessoa física para altas rendas. A partir de 2027, pessoas físicas com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil estarão sujeitas a uma tributação mínima do IRPF de 10%, mesma alíquota que o governo pretende aplicar sobre lucros e dividendos, creditados por pessoas jurídicas a pessoas físicas cuja renda seja superior aos R$ 50 mil.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá apenas 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, 2,54% de Imposto de Renda.

Sobre esse aspecto, Lira manifestou divergência, já que a alíquota de 10% geraria uma arrecadação de R$ 34 bilhões, maior do que a renúncia fiscal com a ampliação da isenção, prevista em R$ 25,8 bilhões. Dessa forma, segundo o deputado, se garantiria uma “neutralidade tributária”, sem que isso represente um aumento de receita para o governo. O deputado pretende reduzir a alíquota aplicada às altas rendas a 8% ou 9%.

O projeto prevê ainda a obrigatoriedade de compensação para estados e municípios que eventualmente venham a sofrer perdas por conta da mudança. 

Fonte: Cut ba

Foto:  Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,18%

Estimativa para o PIB é de 2,23% este ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,2% para 5,18% este ano. É a sexta redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (7), em Brasília. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação permaneceu em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em maio, a inflação oficial fechou em 0,26%. O resultado mostra desaceleração após o IPCA ter marcado 0,43% em abril. O índice – divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – acumula taxas de 2,75% no ano e de 5,32% em 12 meses.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Apesar do recuo recente da inflação, as incertezas em relação à economia fizeram o colegiado elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, no mês passado, sendo o sétimo aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba.

A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não esperava um novo aumento e, nesse cenário, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano.

Para o fim de 2026, a expectativa é de que a taxa básica caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,21% para 2,23% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) foi reduzida de 1,87% para 1,86%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.

Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,70 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,75.

Fonte: Cut ba

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Preços de alimentos caem e prévia da inflação de junho fica em 0,26%

É o 1º recuo do grupo alimentação em nove meses, aponta IBGE

Depois de nove meses seguidos de alta, os preços dos alimentos apresentaram queda em junho e ajudaram a fazer o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) – também conhecido como prévia da inflação oficial – fechar em 0,26%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado representa o quarto mês seguido de desaceleração, ou seja, a inflação está perdendo força.

Veja o comportamento do IPCA-15 desde fevereiro, quando foi apurado o maior índice do ano:

Fevereiro: 1,23%

Março: 0,64%

Abril: 0,43%

Maio: 0,36%

Junho: 0,26%

O resultado de junho também deixa o IPCA-15 abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado (0,39%). No acumulado de 12 meses, o índice soma 5,27%.

Influências

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, sete apresentaram alta em junho. Além da alimentação, o outro grupamento com recuo nos preços foi educação (-0,02%).

Entre os que tiveram alta, a maior pressão veio da habitação, que subiu 1,08%, representando impacto de 0,16 ponto percentual (p.p.) no IPCA-15.

– Habitação: 1,08%

– Vestuário: 0,51%

– Saúde e cuidados pessoais: 0,29%

– Despesas pessoais: 0,19%

– Artigos de residência: 0,11%

– Transportes: 0,06%

– Comunicação: 0,02%

– Alimentação e bebidas: -0,02%

– Educação: -0,02%

O grupo habitação foi influenciado pelo subitem energia elétrica residencial – o que mais contribuiu para a inflação dentre todos os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE.

A conta de luz nos lares ficou 3,29% mais cara (impacto de 0,13 p.p.) por causa da incorporação da bandeira tarifária vermelha patamar 1, com a cobrança adicional de R$ 4,46 na fatura a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, que passou a vigorar em junho. 

Impactos negativos

Dos quatro principais impactos negativos no índice, três são subitens do grupo alimentação:

Tomate: -7,24% (-0,02 p.p.)

Ovo de galinha: -6,95% (-0,02 p.p.)

Arroz: -3,44% (-0,02 p.p.)

As frutas ficaram 2,47% mais baratas. A cebola (9,54%) e o café moído (2,86%), por outro lado, subiram.

A deflação dos alimentos em junho é a primeira desde agosto de 2024, quando os preços tinham caído 0,80%. Desde então, foram nove meses de alta, tendo o pico sido atingido em dezembro (1,47%). Em maio, a elevação foi 0,39%.

A gasolina, subitem que tem o maior peso na cesta de preços apurada pelos pesquisadores, recuou 0,52%, tirando 0,03 p.p. do IPCA-15. O grupo combustíveis como um todo recuou 0,69%.

– óleo diesel (-1,74%)

– etanol (-1,66%)

– gasolina (-0,52%)

– gás veicular (-0,33%)

O índice

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. 

A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa e feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 16 de maio a 13 de junho.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.518.

O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de junho será divulgado em 10 de julho.

Fonte: Cut BA

Foto:  Roberto Parizotti (Sapão)

Atividade econômica brasileira cresce 0,2% em abril

Pelo quarto mês seguido, a atividade econômica brasileira apresentou alta, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,2% em abril em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período).

Na comparação com abril de 2024, houve crescimento de 2,5%, sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais. No acumulado do ano, o indicador ficou positivo em 3,5% e, em 12 meses, registrou aumento de 4%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos.

A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Inflação

Em maio, a inflação oficial fechou em 0,26%, puxada, principalmente, pelo grupo da habitação, seguido da alta na energia elétrica residencial. O resultado mostra desaceleração após o IPCA ter marcado 0,46% em abril.

No acumulado em 12 meses, o índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) soma 5,32%.

A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em 0,5 ponto percentual na última reunião, em maio, no sexto aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom não deu pistas sobre o que deve ocorrer na próxima reunião, a ser realizada nesta semana. O colegiado afirmou, apenas, que o clima de incerteza permanece alto e exigirá prudência da autoridade monetária, tanto em eventuais aumentos futuros como no período em que a Selic deve ficar em 14,75% ao ano.

Produto Interno Bruto

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo IBGE. Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Puxada pela agropecuária, no primeiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 1,4%, segundo o IBGE.

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

Fonte: Cut BA

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

PIB cresce 1,4% no 1º trimestre de 2025 em relação ao 4º de 2024

O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, apresentou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao quarto trimestre do ano passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em valores correntes, o PIB somou R$ 3 trilhões no trimestre.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o PIB teve alta de 2,9%. Já no acumulado de 12 meses, a economia brasileira cresceu 3,5%.

O crescimento do quatro trimestre de 2024 para o primeiro trimestre deste ano foi puxado pela agropecuária, com alta de 12,2%. Os serviços cresceram 0,3%. A indústria teve variação negativa (-0,1%).

Principais resultados do PIB a preços de mercado do 1º Trimestre de 2024 ao 1º Trimestre de 2025
Taxas (%)2024.I2024.II2024.III2024.IV2025.I
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior2,63,03,33,42,9
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores2,82,73,13,43,5
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior 2,63,34,03,62,9
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)1,01,50,80,11,4
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais

Fonte: Cut Ba

Foto: IBGE / Acervo

Produção industrial tem alta de 0,1% de março para abril

A produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,1% na passagem de março para abril deste ano. É o que revela a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro. Essa é a quarta alta consecutiva do indicador, que acumula crescimento de 1,5% desde janeiro deste ano.

“Isso elimina a queda assinalada nos três últimos meses de 2024, os resultados negativos de dezembro, novembro e outubro que totalizaram naquela ocasião uma perda de 1%”, disse o pesquisador do IBGE André Macedo.

Ele destacou, no entanto, que a alta de 1,5% acumulada em quatro meses foi puxada principalmente pelo aumento de 1,2% em março, porque nos demais meses a produção industrial teve resultados positivos muito próximos da estabilidade: 0,2% em janeiro, 0,1% em fevereiro e 0,1% em abril.

O indicador apresenta altas também no trimestre (0,5%), no acumulado do ano (1,4%) e no acumulado de 12 meses (2,4%). Na comparação com abril de 2024, no entanto, houve uma queda de 0,3%.

Segundo Macedo, o crescimento próximo da estabilidade apresentado pela indústria na passagem de março para abril (0,1%) pode ser explicado por fatores como um cenário de incerteza econômica e a alta taxa de juros básica (Selic).

“Por trás desse comportamento de menor intensidade da produção industrial há fatores que a gente já vem elencando há algum tempo. A taxa de juros em patamares mais elevados traz adiamento nas decisões de consumo das famílias e adiamento nas decisões de investimentos por parte das empresas. E tem o ambiente de incerteza não só no mercado doméstico, mas também no ambiente internacional”, afirmou o pesquisador.

Setores

Três das quatro grandes categorias econômicas da indústria apresentaram alta de março para abril: bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos usados no setor produtivo (1,4%), bens intermediários, insumos industrializados usados no setor produtivo (0,7%) e bens de consumo duráveis (0,4%). Apenas os bens de consumo semi e não duráveis tiveram queda (-1,9%).

Entre as 25 atividades da indústria, 13 tiveram alta, com destaque para indústrias extrativas (1%), bebidas (3,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (1%) e impressão e reprodução de gravações (11%). O item produtos químicos apresentou estabilidade.

Entre os 11 ramos da indústria em queda, os maiores recuos foram observados em produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,5%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-8,5%), celulose, papel e produtos de papel (-3,1%), máquinas e equipamentos (-1,4%), móveis (-3,7%), produtos diversos (-3,8%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,9%).

Fonte: Cut Ba

Foto:  Adonis Guerra

NR1: Prevenção de adoecimento mental passará a ser de responsabilidade de empresas

Nesta segunda-feira (26) entra em vigor a nova versão da Norma Regulamentadora (NR-1), que trata do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) aos trabalhadores e trabalhadoras nas empresas. A norma traz em seu texto a inclusão de diretrizes sobre riscos psicossociais como fatores que demandam gestão e prevenção por parte das empresas. No entanto, a vigência da norma será a partir dde 26 de maio de 2026. até lá, as empresas terão um período educativo para se adaptarem às novas regras, sem que isso acarrete em multas. 

A atualização, que foi instituída pela Portaria 1.419 de 27 de agosto do ano passado, é fruto da intensa luta que a CUT vem travando durante anos para que haja uma legislação que reconheça oficialmente o sofrimento psíquico relacionado às condições laborais como um problema de saúde ocupacional.

Ainda que a regulamentação tenha sido feita como um anexo da NR1 e não como uma norma específica, a atualização é considerada uma vitória para os trabalhadores. Segundo Loricardo de Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM-CUT) e membro da bancada dos trabalhadores na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que acompanhou o processo de elaboração da atualização da norma desde o início, o resultado representa um passo importante.

“É uma conquista histórica, principalmente da CUT. Nossa proposta inicial era criar uma nova norma partindo da NR17. Fomos vencidos nesse ponto, mas conseguimos garantir um manual que agora entra em vigor como anexo da NR1”, explica.

Foi a CUT, junto com outras centrais da bancada dos trabalhadores, que forçou esse debate. Não foi dado. Foi conquista. Agora precisamos garantir que não seja esvaziado com adiamentos ou interpretações empresariais- Loricardo de Oliveira

Atuação sindical foi decisiva para inclusão da saúde mental na nova NR-01 

Para Josivânia Ribeiro Souza, secretaria nacional de Saúde do Trabalhador da CUT, a entrada em vigor da nova NR-01 representa um avanço importante na promoção e proteção da saúde e segurança no trabalho, em especial no que se refere à saúde mental.

“Neste primeiro ano, a norma terá caráter educacional, oferecendo uma oportunidade fundamental para que as empresas se organizem e criem as condições necessárias para enfrentar os desafios relacionados aos riscos psicossociais”, ela avalia.

Lutamos intensamente para garantir que os riscos psicossociais fossem reconhecidos nas normas de saúde e segurança do trabalho. Após um longo e desafiador processo de negociação no âmbito do diálogo tripartite, conquistamos a inclusão do tema, o que representa uma vitória coletiva e histórica- Josivânia Ribeiro de Souza

A dirigente afirma ainda que, para a efetiva implementação da NR 01, os desafios serão ‘inúmeros’, e o compromisso agora é com a preparação da base.

“Precisamos realizar um amplo processo de formação política e técnica, para que trabalhadores possam incidir efetivamente sobre a aplicação da norma em seus locais de trabalho. Nossa atuação sindical foi fundamental para que os riscos psicossociais fossem reconhecidos na NR 01. Agora, o desafio é garantir que essa conquista se traduza em práticas reais de proteção à saúde mental nos ambientes de trabalho”, diz Josivânia.

Trajetória

A proposta de um texto específico sobre adoecimento psíquico enfrentou resistências. Para o movimento sindical, o ideal era que a nova diretriz tivesse efeito imediato, como aprovado anteriormente. Contudo, a pressão das representação empresarial — que alegou que as empresas não estão preparadas para cumprir os dispositivos — resultou no prazo de um ano.

A psicóloga Fernanda Magano, presidenta do Conselho Nacional de Saúde (CNS), e que participou do Grupo de Estudo Tripartite (GET) sobre riscos psicossociais também representando a CUT, ressalta que “havia a perspectiva de que as regras entrassem em validade total agora, em maio deste ano, no dia 26, mas infelizmente, por enquanto a norma terá caráter apenas ‘educativo’ caso as empresas não cumpram as referências e os patamares da nova NR1. As questões punitivas só entrarão em vigor em 2026”.

Apesar de crítico à postergação, Loricardo de Oliveira vê nesse prazo uma oportunidade também para a preparar os representantes dos trabalhadores.

“Vamos usar esse tempo para preparar a nossa base, principalmente os trabalhadores das CIPAs e outras representações nos locais de trabalho, para que conheçam a norma, se apropriem dela e não deixem esse protagonismo na mão apenas dos técnicos ou das empresas. Não podemos repetir o erro de outras normas que acabaram sendo prorrogadas sucessivamente.”

A preocupação do dirigente é baseada em outros exemplos como NR-12, que tratava da segurança em máquinas e equipamentos, e da norma que previa a redução do peso dos sacos de cimento, ambos postergados a pedido do setor empresarial mesmo após longos períodos de adequação.

“Não me surpreenderia se, lá na frente, pedirem mais prazo novamente. Por isso, temos que estar atentos”, alertou Loricardo exemplificando com o caso dos sacos de cimento cujo prazo de adequação de 50 para 25 quilos era de 10 anos, termina em 2028, mas o setor empresarial já aponta para uma tentativa de prorrogação.

Até lá

Até que a NR-1 tenha sua totalidade colocada em prática, com empresas cumprindo efetivamente as regras e com punição às que desrespeitaram as normas, empregadores terão a ‘cancha’ de lidar com as mudanças de uma forma considerada por Fernanda Magano ‘muito ruim’.

“É muito provável que haja a contratação de convênios e empresas de serviços de saúde ocupacional, com foco em ações para evitar as punições da NR-01. São ações sob a lógica do capitalismo e não, de fato se importando para a prevenção de risco à vida, com a condição do ser humano”, diz ela.

Empresas já oferecem “pacotes prontos” de adequação à NR 1, muitas vezes baseados em questionários superficiais e ações paliativas, entre elas, inclusive, ‘ginástica laboral’, considerando que atividades dessa natureza fazem com que trabalhadores e trabalhadoras “não se estressem”, ou sejam não são medidas que enfrentam as causas reais do adoecimento.

Eles não acabam com o assediador, mas tentam acostumar o trabalhador a conviver com o assédio. É como dar uma pílula de farinha: não resolve, só mascara o problema- Fernanda Magano

NR-01 O Que Muda na Prática?

A partir de 26 de maio de 2025, as empresas deverão:

  • Identificar e gerenciar riscos psicossociais, como assédio moral, sobrecarga de trabalho e más condições organizacionais.
  • Capacitar trabalhadores e gestoresem saúde mental.
  • Integrar medidas de prevençãoa outras normas regulamentadoras.

Saúde mental: o problema invisível do trabalho

O trecho adicionado à NR1 trata dos riscos psicossociais e do adoecimento mental como resultado direto das condições de trabalho — como excesso de pressão, assédio, metas abusivas e sobrecarga. Loricardo destaca que este é, atualmente, o principal problema de saúde enfrentado pelos trabalhadores.

“É uma doença invisível, mas que tem se tornado visível até para os empresários. Eles sabem o impacto que as pressões e metas têm sobre a saúde mental. Sabem, mas não querem reconhecer, porque isso significaria rever práticas de gestão”, afirma.

A crítica se estende também ao modelo de produção que estimula a competitividade extrema e à cultura de normalização do assédio como ferramenta de gestão.

A CUT, que propôs inicialmente uma nova norma, defende que a regulamentação deveria contemplar inclusive a redução da jornada de trabalho como estratégia de prevenção.

“O tempo de exposição à pressão, à rotina de trabalho, o deslocamento no trânsito, tudo contribui para o esgotamento. Seja na fábrica, no comércio ou na escola, quanto mais horas de trabalho, maior o risco de adoecimento mental”, reforça.

Em 2024, foram realizados 3,5 milhões pedidos de licença no INSS motivados por várias doenças. Desse total, 472 mil solicitações foram atendidas por questões de saúde mental. No ano anterior, foram 283 mil benefícios concedidos por esse motivo. Ou seja, um aumento de 68% e um marco na série histórica dos últimos 10 anos.

Mais dados

  • 56 milhões de brasileiros (26,3% da população)sofrem com algum transtorno mental, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS, 2023).
  • Depressão e ansiedadelideram os diagnósticos:
    • 20 milhões (9,3% da população)têm ansiedade (maior taxa do mundo, segundo OMS).
    • 12 milhões (5,8%)sofrem de depressão.
  • Suicídios: Mais de 14 mil casos por ano(cerca de 38 por dia), segundo o Ministério da Saúde (2023). 

Principais Causas:

  • Desigualdade social e pobreza 
  • Falta de acesso à saúde mental 
  • Estigma e falta de políticas públicas 

Transtornos mentais são a 3ª maior causa de afastamentos no Brasil. Mais de 200 mil trabalhadores afastados entre 2017 e 2022.

Síndrome de Burnout (esgotamento profissional): Reconhecida pela OMS como doença ocupacional em 2022, teve um aumento de 114% nos afastamentos de 2017 a 2022

Assédio Moral e Violência Psicológica

  • 52% dos trabalhadoresjá sofreram assédio moral (Instituto Locomotiva, 2022).
  • Mulheres e negros são os mais afetados: 32% das mulheres relatam assédio, contra 20% dos homens, de acordo com dados do Dieese; negros e negras têm duas vezes mais chances de sofrer humilhações no trabalho. 

CUT e as Normas Regulamentadoras

As Normas Regulamentadoras no Brasil foram criadas pela Lei nº 6.514 de 1977, que modificou a CLT e introduziu a regulamentação da segurança e da saúde do trabalho.

Atualmente, são 38 NRs em vigor, abrangendo desde aspectos gerais da segurança e saúde do trabalho até normas específicas para determinados setores e atividades.

Elas visam padronizar procedimentos e medidas de segurança e saúde do trabalho, garantindo que empresas e trabalhadores sigam as mesmas práticas em relação à prevenção de riscos e acidentes.

A CUT faz parte da Comissão Tripartite Paritária Permanente do Ministério do Trabalho, que discute as normas regulamentadoras e instância onde foi criado o Grupo de Estudo Tripartite (GET) sobre Riscos Psicossociais relacionados ao trabalho, com o objetivo de produzir subsídios para a gestão desses riscos e, então, apresentar recomendações à CTPP.

O resultado do trabalho foi o Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, documento dirigido aos empregadores; aos trabalhadores; à representação dos empregadores e dos trabalhadores; aos profissionais atuantes em Segurança e Saúde no Trabalho, com o objetivo de informar sobre a inclusão expressa dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho na NR1, além de oferecer diretrizes de como proceder e esclarecer as possíveis dúvidas do processo de implementação.

O guia traz detalhadas as mudanças na NR-1, bem como os procedimentos de como gerir fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, envolvendo todas as partes interessadas e a implementação da avaliação dos riscos e do controle de medidas de prevenção.

Ações

Com o objetivo de fortalecer a atuação sindical frente à implementação da NR 01, com foco no reconhecimento, enfrentamento e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a partir de junho de 2025 até maio de 2026, a CUT realizará ações formativas e de comunicação que envolverão a produção de materiais como panfletos, vídeos e cursos abordando temas como Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, Vigilância em Saúde do Trabalhador, Riscos Psicossociais, Saúde Mental, atuação dos nos locais de trabalho, papel dos sindicatos, entre outros.

Fonte: Cut Brasil

Foto:  Marcelo Camargo/ Agência Brasil