CCJ do Senado aprova PEC que acaba com jornada 6×1

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por votação simbólica, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jornada de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). A matéria ainda precisa passar pelo plenário da Casa, em dois turnos de votação. 

A PEC 221 de 2019 prevê a obrigatoriedade de descanso remunerado de dois dias por semana, sem redução salarial, e reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de 14 meses.  

Dos 27 senadores presentes na comissão, apenas quatro registraram votos contrários: o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

O relator Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou todas as 36 emendas apresentadas à PEC, incluindo propostas para manter a possibilidade de escalas de 6×1 ou jornadas superiores a 40 horas.  

“Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benefício para o trabalhador”, justificou o relator.

A PEC foi criticada pelo líder da oposição Rogério Marinho, que reclamou do pouco tempo para debater o tema e destacou que a proposta traria inflação para a economia.

“Nós vamos gerar, sem dúvida nenhuma, inflação, desemprego e informalidade em nome da perpetuação do projeto de poder”, disse o parlamentar potiguar.

Estudos sobre o fim da 6×1 divergem sobre os impactos para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).  

Rogério Marinho defendeu uma outra PEC, a que cria um regime trabalhista por hora trabalhada, e defendeu as negociações individuais entre patrões e empregados para definição da escala de trabalho.

“Esse projeto vai na contramão da necessidade de darmos competitividade à população, ao país e à sociedade brasileira”, criticou.

O líder da oposição ainda apresentou um destaque para limitar o descanso remunerado dos trabalhados à apenas um dia na semana. Porém, o destaque foi rejeitado pela CCJ.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) rebateu os argumentos de Rogério Marinho e citou a pressão de empresários contra a PEC por aumentar direitos dos trabalhadores.

“Toda vez que o Congresso Nacional busca assegurar direitos trabalhistas, o discurso é o mesmo, a economia vai quebrar, o desemprego vai imperar, a inflação vai ocorrer. Isso é um discurso simplesmente para atender os grandes empresários deste país”, afirmou.

A senadora defendeu que a PEC assegura mais dignidade à vida dos trabalhadores, “sobretudo às mulheres brasileiras, que têm dupla ou tripla jornada de trabalho, e hoje, com a aprovação do fim da escala 6×1, nós vamos dar dignidade, saúde mental e vamos melhorar a produtividade no Brasil”.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) reclamou da “falta de mão de obra” no Brasil e defendeu a jornada flexível por hora trabalhada.

“Está difícil a contratação de funcionário. Nós, patrões, queremos que os nossos funcionários estejam com a melhor qualidade de vida”, disse, acrescentando que não tinha como apoiar a PEC.  

“Como é que nós vamos reduzir de 44 horas para 40 horas e essa empresa vai ter a mesma produção? Claro que não. Não adianta nós dizermos que não vai aumentar os custos”, completou o senador por Rondônia.

Críticas

O relator da proposta, senador Omar Aziz, lembrou que mesmo o PL, partido da oposição, votou majoritariamente a favor da PEC na Câmara dos Deputados e rejeitou a tese de que a redução da jornada vai “quebrar” a economia.  

“Quando se criou o 13º salário, diziam que o Brasil ia quebrar, ia ter problema. Depois que se reduziu de 48 horas para 44 horas, também [apontaram] os mesmos problemas. O Brasil é muito forte e tem uma massa trabalhadora que nos dá muito orgulho”, disse Aziz.

O relator da PEC do fim da 6×1 ainda criticou os acordos individuais entre patrão e trabalhador, argumentando que não há igualdade de condições nessa relação.

“O assédio ao trabalhador é quando você faz o contato individual. Ou é desse jeito ou ele tá fora. Aí uma pessoa que tá precisando desesperadamente daquele trabalho, vai aceitar. Acordo individual é assédio ao trabalhador, sim! Acordo coletivo, não!”, acrescentou.  

O relator também rejeitou a emenda que aumentava a regra de transição da PEC de 14 meses para até quatro anos. Foram rejeitadas ainda as sugestões de parlamentares para adiar a implementação da regra para uma lei complementar posterior e para compensações fiscais às empresas. 

Fonte: Agência Brasil

Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo

Os alimentos ficaram mais baratos no mês de julho e ajudaram a inflação oficial a perder força pelo quarto mês seguido e fechar em 0,07%. O resultado faz o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumular 4,44% em 12 meses, trazendo o indicador de volta para a meta do governo.

O IPCA de julho veio em linha com a estimativa do mercado financeiro. O boletim Focus desta segunda-feira (10), sondagem do Banco Central (BC) com instituições econômicas, projetava que a inflação de julho ficaria em 0,07%. Para o fim de 2026, o mercado espera IPCA em 5,02%. 

Veja o resultado da inflação oficial em 2026:

Janeiro: 0,33%

Fevereiro: 0,70%

Março: 0,88%

Abril: 0,67%

Maio: 0,58%

Junho: 0,16%

Julho: 0,07%

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dentro da meta

O comportamento dos preços fez com que o acumulado de 12 meses (4,44%) entrasse novamente na meta do governo: de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

Em abril, o acumulado estava em 4,39%, mas o índice extrapolou o limite máximo em maio (4,72%) e junho (4,64%).

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas ao alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Julho

O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o IPCA marcou 0,11%. Levando em consideração apenas os meses de julho, o desempenho do mês passado é o menor desde 2022 (-0,68%).

O índice de difusão em julho, que mostra o quanto a inflação está espalhada no mês, foi de 50%, ou seja, metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. 

Confira como foi o comportamento dos preços e o impacto em ponto percentual (p.p.) nos nove grupos pesquisados pelo IBGE:

Alimentação e bebidas: -0,67% (-0,14 p.p.)

Habitação: 0,99% (0,15 p.p.)

Artigos de residência: 0,07% (0 p.p.)

Vestuário: -0,66% (-0,03 p.p.)

Transportes: 0,05% (0,01 p.p.)

Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (0,06 p.p.)

Despesas pessoais: 0,22% (0,02 p.p.)

Educação: -0,03% (0 p.p.)

Comunicação: 0,04% (0 p.p.)

Alimentos

Pelo segundo mês consecutivo, o grupo alimentação e bebidas, o de maior peso na cesta de compras das famílias brasileiras, apresentou deflação, ou seja, inflação negativa. Em junho, o recuo foi de 0,24%.

A alimentação especificamente no domicílio ficou 1,14% mais barata em julho, puxada pela queda do subgrupo tubérculos, raízes e legumes (-16,15%).

Veja os subitens alimentícios que mais puxaram a inflação para baixo no mês passado:

Tomate: -29,09% (-0,10 p.p.)

Batata-inglesa: -19,59% (-0,06 p.p.)

Cenoura: -14,41% (-0,01 p.p.)

Café moído: -2,45% (-0,01 p.p.)

Em relação ao café, o IBGE destaca que a queda em 12 meses (-17,2%) é a maior desde o início do plano Real, em 1994.

O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que os alimentos mais baratos são reflexo de maior oferta de produtos, beneficiada por questões climáticas. “O clima ficou mais favorável”, afirma.

Eletricidade

A energia elétrica ficou 3,09% mais cara, exercendo principal impacto individual de alta no mês (0,13 p.p.). De acordo com o IBGE, a explicação está em reajustes em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é um índice nacional, comportamentos específicos em regiões pesquisadas são refletidos na média final do índice.

Fernando Gonçalves lembra que a conta de luz deve apresentar um refresco no bolso em agosto, uma vez que consumidores receberão o desconto na fatura de energia conhecido como Bônus Itaipu, já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Transportes

Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas se destacaram como maior aumento (11,67%). Já os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com recuo do etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

O índice

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todos, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. 

Fonte: CUT BA

Símbolo de soberania nacional, pix é confiável para 80% dos brasileiros

Receber transferência de dinheiro, pagar contas na imensa maioria do comércio e fazer compras em qualquer loja, com descontos à vista, fizeram do pix, o sistema de pagamentos instantâneo, ser o mais confiável para 80% dos brasileiros e brasileiras, mostra pesquisa Genial/Quaest, divulgada pelo jornal O Globo.

O pix, desenvolvido por servidores públicos do Banco Central do Brasil (BC), lançado oficialmente em novembro de 2020, se tornou motivo de orgulho dos brasileiros, superando a confiança em instituições como a Igreja Católica (76%), Polícia Militar (75%) e Forças Armadas (70%), segundo a mesma pesquisa.

Muito mais do que as facilidades do seu uso, o pix se tornou símbolo da soberania nacional ao demonstrar que o Estado brasileiro tem a capacidade regular, supervisionar e aperfeiçoar sua própria infraestrutura financeira, em .um mundo em que grandes empresas globais de tecnologia e finanças disputam o controle sobre dados, pagamentos e serviços financeiros, possuir uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos representa uma vantagem estratégica.

O Pix também mostra que inovação tecnológica não precisa ser sinônimo de dependência tecnológica. Ao contrário: o Estado pode atuar como indutor da inovação, estabelecer regras comuns e criar infraestrutura que permita a participação de empresas públicas e privadas, mantendo o interesse público como referência.

Foi graças a esse sistema instantâneo que o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando o cartão de débito e o dinheiro em espécie. Somente em maio deste ano cerca de R$ 3 trilhões foram movimentados pelo Pix, valor equivalente a aproximadamente três vezes o PIB mensal brasileiro. Ao todo neste período foram realizadas mais de 7 bilhões de transações. Neste ano já são mais de 170 milhões de pessoas físicas que utilizaram o Pix em 2026, o equivalente a cerca de 80% da população brasileira. 

Tentativa de interferência externa

Em julho de 2025 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, relacionando a medida, entre outros argumentos, ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do atual candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro. Trump acusou o Brasil de perseguir seu aliado político e criticou decisões do Judiciário brasileiro. A medida valeu por quatro meses.

Após a queda da primeira tarifa, o governo Trump transformou oficialmente o Pix em uma questão de política comercial americana. No mês passado o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, citando entre os fundamentos da medida as questões relativas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos. O governo Trump acusou o Pix de prejudicar empresas americanas como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay, argumentando que o sistema brasileiro receberia tratamento preferencial.

O presidente Lula reagiu diretamente: “O Pix é do Brasil”, deixando claro que o governo não aceitaria que uma tecnologia criada e administrada pelo Banco Central fosse modificada por pressão externa.

Brasil não se intimida e aperfeiçoa o uso do pix

Apesar dos ataques dos EUA o Banco Central do Brasil deverá ampliar as possibilidades de utilização do Pix é o Pix Parcelado, com previsão de lançamento para novembro deste ano.

A modalidade permitirá que o consumidor faça uma compra pelo sistema de pagamentos instantâneos e divida o valor em parcelas, enquanto o estabelecimento recebe o dinheiro da venda. Na prática, porém, o consumidor estará contratando uma operação de crédito com seu banco ou instituição financeira e, por isso, poderá pagar juros.

O Banco Central não deverá estabelecer uma taxa única para o Pix Parcelado. As condições, como juros, número de parcelas e critérios para concessão do crédito, serão definidas pelas instituições financeiras. O comerciante, por sua vez, deverá receber o valor da venda de forma integral, sem precisar esperar o pagamento de todas as parcelas pelo consumidor.

Fonte: CUT BA

Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto

A prorrogação do programa de renegociação de dívidas bancárias, o Desenrola Brasil 2.0, foi oficializada neste sábado (1º), em portaria do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União. A medida já havia sido anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Os consumidores terão até 31 de agosto para renegociar os débitos com os bancos e regularizar a situação de acesso ao crédito.

As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, de acordo com a portaria, a prorrogação aplica-se exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de, no mínimo 1 mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Na ocasião do anúncio, Durigan ressaltou que a medida não exigirá novos aportes públicos ao FGO, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista. O objetivo do prazo adicional é permitir que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, entre os beneficiados estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.

fonte: CUT BA

Na Bridgestone, o assédio não tem fim

Banco de Horas deve respeitar o ACT

Trabalhadores da Bridgestone enfrentam dificuldades para utilizar as horas acumuladas no Banco de Horas. Mas, o instrumento é previsto em negociação coletiva e deve ser aplicado com transparência, equilíbrio e respeito aos direitos da categoria.

Falta de planejamento compromete PLR

Falhas no planejamento da produção pela Continental têm provocado desperdício de grande quantidade de borracha, elevando os índices de scrap. E isso impacta os indicadores utilizados para o pagamento da PLR. É preciso medidas para reduzir as perdas.

O ambiente de trabalho na Bridgestone voltou a ser alvo de denúncias relacionadas ao assédio moral. Trabalhadores relatam situações de constrangimento, intimidação, perseguição e pressão excessiva no dia-a-dia da fábrica, cenário que tem provocado adoecimento e desgaste emocional.

Nenhuma meta de produção ou posição hierárquica justifica práticas que desrespeitem a dignidade dos trabalhadores. O tema foi levado oficialmente ao Ministério do Trabalho e discutido em reuniões com a empresa.

O Sindborracha cobra medidas efetivas para prevenir novas ocorrências, investigar denúncias e responsabilizar eventuais envolvidos. Respeito no ambiente de trabalho não é benefício. É direito.

FALTA DE MÃO DE OBRA – A redução do quadro de funcionários tem sido também uma das principais reclamações dos trabalhadores da Bridgestone.

Segundo relatos encaminhados ao Sindborracha, equipes reduzidas vêm assumindo uma carga de trabalho cada vez maior, resultando em jornadas mais desgastantes, aumento da pressão por produtividade e maior risco de acidentes.

O problema atinge diversos setores da fábrica e também compromete indicadores de produção e qualidade.

Nenhum trabalhador pode ser responsabilizado por suprir, sozinho, a falta de efetivo. A empresa precisa reforçar as equipes e garantir condições adequadas de trabalho.

Nota da CUT: redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual é insuficiente

A Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil – manifesta sua profunda insatisfação com a decisão do Conselho de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, de reduzir a taxa básica de juros (taxa Selic) em apenas 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. Essa redução tímida não atende às necessidades urgentes do país e do povo brasileiro. Manter os juros nesse patamar absurdo continua sufocando o setor produtivo, encarecendo o crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora, que segue pagando a conta da lógica do rentismo.

A política monetária do Banco Central ignora os sinais positivos da economia brasileira e de alívio no cenário internacional, como a recente queda no preço do petróleo, e prefere manter o Brasil refém da especulação financeira. Taxas de juros reais tão elevadas drenam recursos públicos que deveriam financiar a saúde, a educação e a infraestrutura, destinando-os para o pagamento da dívida com os grandes detentores de capital. O desenvolvimento nacional e a geração de empregos de qualidade exigem um corte contundente da taxa de juros, e não mais uma concessão ao mercado.

A redução de apenas 0,25% pontos na taxa de juros expõe, mais uma vez, os limites e os perigos do atual modelo de autonomia do Banco Central. Na prática, essa autonomia serve apenas para blindar a autarquia das demandas populares e do projeto de crescimento referendado pelas urnas, mantendo a instituição de costas para o país. A verdadeira independência de uma autoridade monetária deveria estar comprometida com o pleno emprego e com a soberania econômica nacional, e não com a defesa intransigente de uma cartilha que sabota a produção e o povo brasileiro.

Reforçamos a necessidade de democratizar o debate público sobre os rumos da taxa de juros. O povo trabalhador precisa ocupar esse debate, pressionar e exigir uma política monetária comprometida com o desenvolvimento econômico e a justiça social. A taxa de juros envolve a vida de todo mundo que trabalha e não pode continuar sendo definida de forma isolada, distante das necessidades reais da sociedade. Defendemos a participação ativa da classe trabalhadora nessa governança, garantindo que a realidade das periferias, do comércio e do do mundo do trabalho seja colocada na mesa antes de qualquer decisão que impacte o custo de vida e o sustento das famílias. A CUT seguirá defendendo que o Banco Central avance na redução expressiva da taxa de juros. Orientamos todas as entidades sindicais e convidamos o povo brasileiro a seguirem mobilizados e atuantes na Campanha Permanente Menos Juros, Mais Empregos, pela redução da taxa de juros e pelo fim da autonomia do Banco Central e exigindo uma política econômica soberana, voltada para o desenvolvimento nacional, para o crédito acessível e para a efetiva valorização do trabalho.

Fonte – CUT

Brasil reage à tarifaço e diz que críticas dos EUA são inaceitáveis e ofensivas

O governo brasileiro endureceu o discurso contra os Estados Unidos após as declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe de não negociarem “de boa-fé” com Washington. A manifestação foi publicada na rede social X logo após o anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA.

Na publicação, Rubio afirmou que o Brasil não demonstrou disposição para negociar as preocupações comerciais apresentadas pelos Estados Unidos, manteve políticas consideradas prejudiciais às empresas e trabalhadores norte-americanos e, por isso, levou o governo dos EUA a concluir a investigação comercial e aplicar a nova tarifa.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as declarações como “inaceitáveis” e “ofensivas” ao povo e ao governo brasileiro. Em pronunciamento realizado nesta quinta-feira (16), o chanceler afirmou que as críticas representam uma tentativa de pressão política e reiterou que o Brasil manteve diálogo constante com as autoridades norte-americanas durante todo o processo de negociações.

Segundo Vieira, o governo brasileiro buscou soluções diplomáticas desde o início das discussões sobre as medidas comerciais e defendeu que a imposição das tarifas não possui justificativa técnica, sendo resultado de uma decisão unilateral dos Estados Unidos.

A nova tarifa de 25% foi anunciada pelo governo norte-americano na quarta-feira (15) e passa a valer a partir do próximo dia 22. A medida foi adotada com base em investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Leia a íntegra (Fonte: Agência Gov)

“O governo dos Estados Unidos anunciou, ontem à noite, sua decisão de aplicar tarifas de 25% contra produtos brasileiros, como resultado da investigação da Seção 301 sobre o Brasil.

As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros.

Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas.

Somente com Jamieson Greer e o Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre Presidentes.

O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes do tarifaço original, anunciado em 2 abril de 2025.

Nesse próprio dia 2 de abril, antes do anúncio das tarifas, eu mantive uma chamada telefônica com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Naquele momento, o Brasil foi tarifado em 10%, o menor nível de tarifas aplicado pelos Estados Unidos a qualquer país.

Após a carta do Presidente Trump ao Presidente Lula, de 9 julho de 2025, as tarifas foram elevadas a 50%, por expressa motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro.

E foi justamente nessa carta – em que o Presidente Trump ameaçou o Brasil com tarifas de 50%, caso o processo contra o ex-Presidente da República não fosse imediatamente interrompido – que foi dada a instrução ao Representante de Comércio dos Estados Unidos para que iniciasse a investigação sob a Seção 301 contra o Brasil.

Desde o primeiro momento, o Presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema.

Nesse sentido, as declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. 

Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo.

Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações. Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam uma capitulação.  

Não custa reiterar que os Estados Unidos acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos dos Estados Unidos importados pelo Brasil.

Apesar da motivação política, o governo brasileiro participou ativamente na investigação, pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde a abertura do processo, em 15 de julho de 2025.

Apresentou duas defesas escritas ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos, em 18 de agosto de 2025 e em 10 de setembro de 2025, demonstrando que as políticas e práticas brasileiras investigadas são legítimas, não discriminatórias e não prejudicam o comércio dos EUA.

Realizou reunião de consultas governamentais com os Estados Unidos, em Washington, em 15 e 16 de abril de 2026, com delegação de alto nível.

Não se pode esquecer também que a investigação sob a Seção 301 serviu para compensar, do ponto de vista legal, a derrota do governo dos Estados Unidos na Suprema Corte sobre a política unilateral de aplicação de tarifas a todos os países.

Não houve, portanto, racionalidade na aplicação de tarifas.

As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o PIX são descabidas.

O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX.  As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no cerrado. Esses são apenas dois exemplos.

Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade.”

Impactos

Produtos exportados pelo Brasil que mais sofrerão impactos são: café, carne bovina, açúcar, tabaco, ferro-gusa e etanol.

As centrais sindicais criticaram em nota as novas tarifas do governo norte-americano ao Brasil. 

O início das sanções dos EUA ao Brasil

O primeiro tarifaço de 50% aplicado por Trump ao Brasil foi em 9 de julho de 2025, por meio de uma carta dirigida ao presidente Lula. No documento, Trump citou diretamente o processo contra Bolsonaro e criticou o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal.  A tarifa foi encerrada em 20 de fevereiro de 2026.

O principal articulador da pressão em Washington foi Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente. Ele se mudou para os Estados Unidos e passou a manter contatos com integrantes do governo Trump e parlamentares norte-americanos para buscar sanções contra autoridades brasileiras e pressionar pela interrupção do processo contra o pai.

Trump vinculou expressamente a medida ao processo judicial contra Jair Bolsonaro e exigiu que o julgamento fosse interrompido, classificando-o como uma “caça às bruxas”.

Fonte – CUT

Manutenção sofre com falta de pessoal e de peças

A situação da manutenção também preocupa. Além da redução no número de profissionais, há constantes reclamações sobre a falta de peças de reposição para máquinas e equipamentos.

Segundo os relatos, a combinação entre equipes enxutas, equipamentos parados e falta de manutenção aumenta a pressão sobre os trabalhadores, compromete a produção e amplia os riscos operacionais.

O Sindborracha cobra da Bridgestone investimentos em manutenção preventiva, reposição de peças e recomposição do quadro de funcionários para garantir segurança e eficiência na operação.

Planejamento ruim prejudica a produção

O Planejamento e Controle da Produção (PCP) da Bridgestone voltou a ser alvo de críticas. Segundo trabalhadores, erros de programação provocam trocas constantes de setup, desperdício de materiais, máquinas paradas e dificuldades para atingir as metas estabelecidas.

No chão de fábrica, a insatisfação chegou ao ponto de transformar a sigla PCP em uma ironia: “Parar Completamente a Produção”.

Para o sindicato, problemas de gestão não podem ser transferidos para os trabalhadores por meio de cobranças cada vez maiores ou metas inalcançáveis.

Bambury enfrenta vazamentos e falhas estruturais

As denúncias envolvendo o setor de Bambury revelam um conjunto de problemas que afeta diretamente as condições de trabalho. Segundo trabalhadores, o número reduzido de operadores tornou determinadas atividades excessivamente pesadas, especialmente nas etapas de corte de polímeros e retirada de amostras.

Sem contar com os elevadores fora de funcionamento, obrigando trabalhadores a subir e descer de escada durante toda a jornada, e o vazamento frequente de pó e óleo, falhas em equipamentos e manutenção insuficiente.

É preciso intervenção imediata da Bridgestone, priorizando a segurança.

SindBorracha debate com Ministério do Meio Ambiente reciclagem de pneus importados

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Setor Pneumático de Salvador, Camaçari e Região Metropolitana (SindBorracha), Josué Pereira, participou, na segunda-feira (29), de uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, para discutir a responsabilidade ambiental das empresas que importam pneus para o Brasil.

O encontro aconteceu na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília, e teve como principal pauta a necessidade de ampliar o compromisso das importadoras com a reciclagem e a destinação adequada dos pneus após o uso.

Durante a reunião, Josué Pereira defendeu que as empresas importadoras sejam submetidas às mesmas exigências já cumpridas pela indústria nacional de pneus, que mantém programas de logística reversa e reciclagem como parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Segundo o dirigente sindical, a equiparação das obrigações ambientais contribuirá para garantir concorrência mais equilibrada entre os setores, além de fortalecer as ações de preservação ambiental por meio da correta destinação dos resíduos.

Prévia da inflação desacelera pelo segundo mês consecutivo e fica em 0,41% em junho

A prévia da inflação oficial do país perdeu força pelo segundo mês consecutivo e registrou alta de 0,41% em junho, segundo dados divulgados na última quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) mostra uma desaceleração em relação aos meses anteriores, quando o indicador havia avançado 0,89% em abril e 0,62% em maio.

Apesar da redução no ritmo mensal, o índice acumula alta de 4,8% nos últimos 12 meses, acima dos 4,64% registrados até maio.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência pelo Banco Central para acompanhar a evolução dos preços.

De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (22), o mercado financeiro projetava uma alta de 0,32% para a inflação de junho. O resultado divulgado pelo IBGE ficou ligeiramente acima dessa expectativa.

Entre os grupos pesquisados, alimentação e bebidas e habitação foram os principais responsáveis pela alta dos preços no mês, respondendo por cerca de dois terços da variação do IPCA-15.

Veja o comportamento dos grupos e os impactos em ponto percentual (p.p.):

Alimentação e bebidas: 0,74% (0,16 p.p.)

Habitação: 0,72% (0,11 p.p.)

Artigos de residência: 0,36% (0,01 p.p.)

Vestuário: 0,45% (0,02 p.p.)

Transportes: -0,03% (-0,01 p.p.)

Saúde e cuidados pessoais: 0,47% (0,06 p.p.)

Despesas pessoais: 0,34% (0,04 p.p.)

Educação: -0,02% (0,00 p.p.)

Comunicação: 0,34% (0,02 p.p.)

Alimentação em casa sobe menos

Dentro do grupo alimentação e bebida, a alimentação no domicílio variou 0,87%. Em maio, tinha subido 1,73%.

Os preços que mais subiram no grupo foram o da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%).

O IBGE destacou que, no semestre, tomate (103,84%), cenoura (103,10%) e batata-inglesa (100,20%) mais que dobraram de preço. Alimentos são produtos que têm os custos muito relacionados a condições climáticas.

Bandeira amarela pesa

No grupo habitação, o custo que mais cresceu foi o da energia elétrica residencial (2,04%). De todos os 377 produtos e serviços pesquisados, a conta de luz teve o maior impacto de alta (0,08 p.p.).

A explicação, segundo o IBGE, está na bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatt-hora (Kwh) consumidos. 

As bandeiras tarifárias são determinadas mês a mês pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo a agência, a previsão de chuva abaixo de média e a expectativa de aumento do consumo de energia justificam a tarifa extra.

A previsão de escassez de chuvas e as temperaturas mais altas no país aumentam os custos de operação do sistema de geração de energia das hidrelétricas. Dessa forma, é necessário acionar as usinas termelétricas, que têm custo maior.

Contribuíram também para a alta da conta de luz os reajustes tarifários em Belo Horizonte, no Recife, em Fortaleza e Salvador. Mesmo esses sendo impactos regionais, o IPCA, por ser uma média nacional, reflete os aumentos.

No grupo transportes, as passagens aéreas ficaram 7,24% mais caras (impacto de 0,05 p.p.).  No sentido inverso, os combustíveis recuaram 1,22% (impacto de -0,08 p.p.).

De todo o IPCA-15, o etanol (-5,30%) e a gasolina (-0,73%) foram os preços com o maior impacto negativo (-0,04 p.p. cada). O óleo diesel recuou 1,47% em junho.

IPCA-15

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

A diferença entre os índices está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa é feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 16 de maio a 16 de junho.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.621.

O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, Belo Horizonte, do Recife, de São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de junho será divulgado em 10 de julho.

Fonte – CUT