Violência política sobe 23% nos primeiros seis meses deste ano em relação a 2020

Só nos primeiros seis meses deste ano, quando serão realizadas eleições para escolher o novo presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, foram registrados 214 casos de violência contra lideranças políticas, 23% a mais do que no mesmo período de 2020, quando foram realizadas eleições municipais e a violência atingiu 174 pessoas no país. A violência vai desde ameaças, agressões, atentados até homicídios e sequestro das lideranças e familiares.

Os dados são do Observatório da Violência Política e Eleitoral, formado por pesquisadores do Grupo de Investigação Eleitoral (Giel) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e foram divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo, nesta terça-feira (12), três dias após o assassinato do guarda civil Marcelo Aloizio de Arruda, militante do PT e dirigente do sindicato dos servidores municipais de Foz do Iguaçu (PR).

Marcelo, pai de 4 filhos, um deles com apenas 40 dias de vida, foi assassinado a tiros pelo bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho, policial federal penitenciário, na madrugada deste domingo (10), durante sua festa de aniversário de 50 anos.

Os pesquisadores consideram como lideranças políticas ocupantes e ex-ocupantes de cargos eletivos, candidatos, ex-candidatos, pré-candidatos e determinados funcionários da administração pública (ministros, secretários de governo e assessores). Marcelo foi candidato a vice-prefeito de Foz do Iguaçu em 2020 e era dirigente do PT local.

De acordo com a repórter da Folha Angela Pinho, no período de abril a junho deste ano, o tipo de violência mais frequente foi ameaça, com 37 casos (36,6%), seguida de agressão, com 27 casos (26,7%), e homicídios, com 19 casos (18,8%).

Houve ainda nove atentados (8,9% do total de ocorrências), cinco homicídios de familiares (5%), dois sequestros (2%) e dois sequestros de familiares (2%).

Em 2020, o número de episódios de violência política aumentou 44% do segundo trimestre para o terceiro, e 93,5% entre o terceiro e o quarto trimestre.

Ainda segundo a Folha, a região Nordeste registrou o maior número de assassinatos (10 casos) e, pela primeira vez, o estado do Paraná liderou o ranking, com quatros casos, algo que, segundo o boletim, “chama atenção por ser algo incomum até então”.

O cientista político Felipe Borba, coordenador do Giel, disse à reportagem que, na sua avaliação, a alta no número de casos de violência contra lideranças políticas neste ano decorre de dois fatores. Por um lado, a violência da política estadual e federal se soma à municipal, que é predominante no país. E, por outro, afirma, o bolsonarismo usa a linguagem da violência como estratégia eleitoral, o que acaba incitando apoiadores.

“As eleições brasileiras sempre foram polarizadas, mas nunca houve pelos candidatos estímulo a violência, falar em metralhar”, disse o pesquisador à Folha.

Para o coordenador do Giel, qualquer ato de violência contra liderança política é muito grave porque mina a democracia e ainda fere a liberdade de expressão. “Reduz a participação e a legitimidade dos eleitos e deixa as pessoas com receio de manifestar sua opinião”, afirma.

Redação CUT

Baixos salários, queda de renda e endividamento: o caos na vida do trabalhador

Sobreviver não está sendo nada fácil para milhões de brasileiros e brasileiras que veem no subemprego e no bico uma forma de conseguir algum trocado para não passarem fome. A situação econômica do país é tão grave que a queda no desemprego anunciada com estardalhaço pelo governo federal esconde, na verdade, uma tragédia social.

A maioria dos empregos gerados de maio de 2021 a maio de 2022, foi para profissões de baixa remuneração. A campeã foi a dos faxineiros que, no  período, criou 163,4 mil novos postos de trabalho, ou 6,15% de todas as vagas geradas no país com carteira assinada (2,66 milhões), segundo análise feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a partir dos dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência, a pedido do G1.

O mesmo estudo revela que, juntas, 128 de 140 categorias profissionais responsáveis por 72% das vagas criadas com carteira assinada no país, estão com remuneração média abaixo da inflação acumulada em 12 meses. Entre os que mais perderam renda estão motoristas de ônibus urbano e auxiliar administrativo, com perda real de 19%. Na outra ponta, quem teve uma valorização maior foram os médicos clínicos cujo salário de admissão teve ganho real de 35,6% em um ano.

Enquanto a inflação dispara, a renda média de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros caiu 8%. Nos últimos anos, a moeda brasileira perdeu mais de 30% de seu poder de compra. O custo do conjunto básico de alimentos teve um aumento ainda maior: em São Paulo esse aumento foi de quase 50%.

Em linhas gerais, a análise dos números do Caged é a reafirmação da tragédia que significou a reforma Trabalhista de 2017, o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), e as políticas de Jair Bolsonaro (PL) em que o trabalhador tem menos direitos, afirma o secretário de Administração e Finanças da CUT Nacional, Ariovaldo de Camargo.

“São poucas vagas criadas e com salários menores. A formas de contratações são piores, não necessitam de mão de obra especializada do ponto de vista acadêmico e de formação profissional, daí a baixa remuneração”, diz Ariovaldo.

Para o economista Marcio Pochmann, a retomada dos empregos nada mais é do que o retorno ao trabalho do setor de serviços mais impactado com a pandemia, pelo fechamento de comércios e a menor circulação de pessoas nas ruas. A flexibilização das regras para conter a Covid-19 fez com que as atividades normalizassem e os empregos que estavam retraídos começaram a voltar, o que segundo o economista, não significa retomada de crescimento nem, como mostra o estudo da CNC, a melhoria das condições de renda do trabalhador.

“Com a diminuição da gravidade dos casos de Covid, graças à vacinação, a população está indo mais às ruas e para sobreviver faz de tudo, principalmente vendas de alimentos e entregas por aplicativos. Nós ainda não voltamos ao nível de emprego registrado em 2014”, diz Pochmann.

A recuperação da renda e do emprego para o trabalhador passa pela volta da política de valorização do salário mínimo, que o atual governo terminou, entre outras ações, defende o secretário da CUT Nacional.

“O levantamento da CNC é a confirmação de que, com a reforma Trabalhista, teríamos emprego de péssima qualidade, perda de remuneração e, em especial, a precarização de uma grande parte da sociedade. Quase a metade dos trabalhadores não tem emprego formal, e uma hora o preço a ser cobrado será muito alto”, avalia Ariovaldo de Camargo.

O resultado das altas taxas de desemprego, da baixa remuneração e alta da inflação é que cada vez mais famílias estão endividadas. A inadimplência chega a 58% nas famílias com renda de até R$ 2.100. Ou seja, uma em cada três famílias brasileiras possui dívidas em atraso, e a alta da inflação é apontada como o principal fator para que essas despesas não sejam pagas em dia, segundo sondagem especial realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre).

Para piorar, segundo Ariovaldo, o governo abre crédito consignado para quem vai receber os R$ 600 do Auxílio Brasil até o final do ano e para os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e ainda apresenta projeto para que as pessoas possam penhorar a casa própria aos bancos.

“O governo está induzindo uma parcela da sociedade que recebe auxílios e, portanto, é a mais vulnerável, a se endividar para superar a fome, mas o valor é momentâneo, e  lá na frente essas pessoas não terão condições de resolver a dívida e terão até o imóvel confiscado”, critica o dirigente da CUT Nacional.

Esse conjunto de tragédias que se abate sobre a população é resultado de uma política econômica errada do governo federal, diz o economista Marcio Pochmann. De acordo com ele, as atividades econômicas de natureza capitalista têm dificuldade de se expandir num país que tem um contingente imenso de sobra de mão de obra e de pessoas fazendo bicos para sobreviver.

“O IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] diz que [os empregos informais] são ocupações, mas é a reação das pessoas na busca de algum ganho para vida que, necessariamente, não está associado ao desempenho econômico que eleve a demanda da força de trabalho. São estratégias de sobrevivência para quem depende de salário”, explica o economista.

Para Marcio Pochmann, o problema do desemprego, da inflação e o endividamento das famílias é de natureza política.

“Temos terra para plantar, temos reservas financeiras internas e externas, temos mão de obra qualificada e obras inacabadas. O problema é político, a partir do momento em que o empresariado desconfia do que vai ocorrer na economia nos próximos anos, e só uma nova política pode resolver”, afirma o economista.

Maquiagem dos dados de emprego

O governo maquia os dados do emprego desde que mudou a fórmula de cálculo Cadastro Geral de Empregados e Desempregado (Caged). Antes do golpe, em 2016, o Caged, que registra as demissões e admissões de trabalhadores, informadas pelas empresas, contabilizava apenas empregos formais, com carteira assinada e por prazo indeterminado. Depois da destituição da presidenta Dilma, passou a contabilizar também a nova modalidade de contratos, os intermitentes, legalizados pela reforma Trabalhista de Michel Temer (MDB-SP), e os aprendizes.

O contrato intermitente é contabilizado pelo Caged apesar de permitir que o patrão chame o trabalhador apenas quando precisar. Pode ser apenas nos fins de semana, por exemplo, ou quando a produção aumentar. O empregado não trabalha os 21 dias úteis de cada mês e pode ganhar menos de um salário mínimo (R$ 1.212) por mês.

“O novo Caged rompe com qualquer abordagem comparativa com o passado. Os dados apresentados não podem ser comparados com outra série histórica de emprego quando o país estava bem economicamente”, ressalta Pochmann.

Redação CUT

Foto Roberto Parizotti

Vendas de veículos usados retraem 18,1% no semestre

O setor de veículos usados fechou o semestre com queda de 18,1% nas vendas. A atividade contou com um momento de recuperação em maio -melhor mês do ano no segmento -, mas com menos dias úteis em junho voltou a cair em junho (2,1%). Os dados são da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave).

“Apesar da retração no mês, o volume foi próximo ao registrado em maio, que teve o melhor desempenho no ano até o momento. Vale destacar que o resultado nas vendas diárias foi positivo, em 4%, para Automóveis e Comerciais Leves”, afirmou o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Jr.

Segundo ele, como muitos usados viram forma de pagamento na compra de um veículo novo, a queda na oferta de modelos 0km, por conta ainda da crise de abastecimento global, ainda impactando seminovos e usados. “Um agravante é a exigibilidade com relação a análise de crédito para esse mercado, que tem enfrentado maior restrição na liberação de financiamentos”, completa.

Redação Bahia.ba

Foto reprodução Fenabrave

Indústria baiana sobe em maio e tem maior crescimento do país comparado a 2021

A produção industrial da Bahia teve uma leve variação positiva de 0,3% em abril, frente ao mês anterior. O dado é da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, do IBGE, segundo o qual o estado também registrou o maior crescimento do país (26%) comparado ao mesmo período de 2021.

De acordo com o levantamento, este foi o quarto avanço consecutivo da Bahia nos comparativos mensais: 2% entre janeiro e fevereiro; 0,2% entre fevereiro e março; e 0,3% entre março e abril.

O resultado para o estado foi idêntico ao índice nacional (0,3%), colocando a Bahia na nona posição entre os 15 locais pesquisados. Destes, 11 apresentaram variação positiva, com os melhores resultados em Amazonas (6,6%), Mato Grosso (4,6%) e Paraná (3,5%)

Segundo o IBGE, apesar da variação positiva, o setor fabril da Bahia ainda está longe de se recuperar das perdas registradas desde o início da pandemia, operando num patamar 17,9% abaixo de fevereiro de 2020.

Com uma alta de 26% em relação a maio de 2021, a indústria baiana registrou o terceiro avanço consecutivo no indicador, após 14 quedas seguidas, ocorridas entre janeiro do ano passado a fevereiro deste ano.

De acordo com a pesquisa, o resultado da Bahia está muito acima do nacional, que registrou alta de 0,5%. O número representou também o maior crescimento para um mês de maio no estado desde o início da série histórica do IBGE, em 2003.

No acumulado nos cinco primeiros meses do ano, frente ao mesmo período do ano anterior, a Bahia é um dos cinco estados com resultado positivo, tendo o 2º maior índice do país (8,9%), atrás apenas do registrado em Mato Grosso (23,3%). O país como um todo apresenta queda de 2,6%.

Apesar dos resultados positivos, nos 12 meses encerrados em maio, a indústria baiana continua no negativo (-3,9%), frente aos 12 meses imediatamente anteriores, tendo o 5º pior resultado do país. No Brasil como um todo, a produção industrial também cai (-1,9%) nessa comparação, com resultados negativos em 9 dos 15 locais.

Redação Bahia.ba

Brasileiros compram menos e pagam mais nos mercados e nas ruas

A carestia generalizada e a desorganização econômica impostas à população por Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes estão modificando os hábitos de consumo das famílias brasileiras. Cada vez sobra mais mês no fim do salário, e a inflação de dois dígitos, a queda dos rendimentos e o endividamento em níveis recordes fazem as pessoas comprarem menos nos mercados e trocarem o almoço por lanches nas ruas.

O relatório ‘Consumer Insights 2022’, da consultoria Kantar, revela que, enquanto o valor desembolsado com uma cesta de 120 categorias de itens, entre alimentos, bebidas, limpeza doméstica e higiene e beleza, avançou 13,1% entre o primeiro trimestre de 2021 e o de 2022, a quantidade de produtos nos carrinhos recuou 5%.

O indicador que acompanha o número médio de itens incluídos pelo consumidor nos carrinhos de supermercados a cada vez que vai às compras recuou de 15 produtos para 13 no período. A pesquisa, antecipada com exclusividade pelo jornal Valor Econômico, traz o cenário para sete regiões brasileiras.

Seis das sete regiões analisadas apresentaram queda na quantidade. E todas registraram alta de dois dígitos no preço médio por produto no primeiro trimestre de 2022, em comparação ao mesmo período de 2021. As altas mais expressivas foram no Centro-Oeste (16,4%), Grande São Paulo (15,6%) e no grupo que Norte/Nordeste (15,3%).

A diretora comercial da Kantar, Raquel Ferreira, diz que no primeiro trimestre de 2022 houve um primeiro início de retomada de normalidade em termos de consumo. “E o que se vê é um conjunto de dois efeitos: aumento de preços, especialmente de alimentos, e bolso mais apertado do consumidor”, constata ela.

O levantamento também aponta mudanças de hábitos nos gastos fora de casa. Enquanto o valor gasto permaneceu estável, o preço médio por produto cresceu 11%, quase na mesma proporção da queda na quantidade consumida (10%).

O consumidor também tem evitado as refeições completas, que ficaram 21% mais caras principalmente na hora do almoço, com um tíquete médio de R$ 43,94. A preferência é por petiscos (“snacks”) para enganar a fome. Estes ficaram 11% mais caros e ainda assim têm valor correspondente a um quarto da refeição (R$ 10,43). A frequência de refeições caiu 25%, enquanto a categoria “snacks” sofreu queda menor (9,8%).

“Tem duas coisas: as pessoas que foram se habituando a rotinas diferentes e uma pressão no bolso que faz com que, mesmo que as pessoas façam refeições fora de casa, essa refeição diminuiu também para as opções mais econômicas”, finaliza Ferreira.

Gôndolas acompanham os bolsos e vão ficando mais vazias

Embora não admitam a redução na quantidade de compras, as redes supermercadistas constataram uma busca maior por marcas com preços menores. “Uma parte dos consumidores está mais aberta a experimentar marcas alternativas. Mas é uma movimentação sempre baseada na qualidade e no custo versus benefício”, afirmou Manuel Pinheiro, diretor comercial do Supermercados Mundial.

Dona de 20 lojas no Estado do Rio de Janeiro com foco em descontos e promoções, a rede Mundial tem investido no que Pinheiro chamou de “desenvolvimento de novas categorias de produtos”. Tal como a troca do filé de frango pela linguiça do animal.

Outra rede com mais de 120 lojas no estado do Rio, a Supermarket, aposta na busca por novas marcas que unam qualidade e preço baixo. O objetivo, diz o presidente, Paulo Bonifácio, é “ajudar o consumidor que já está com o salário chegando ao fim”.

Mas a empresa Neogrid, especializada em gestão de cadeias de suprimentos, tem observado ausências cada vez maiores nas gôndolas dos supermercados. O Índice de Ruptura da empresa, que aponta a indisponibilidade de produtos nas prateleiras, ficou em 11,5% em maio, pouco acima dos 10,8% registrados em abril e também em março. Estoque e venda praticamente não alteraram em relação a abril – mês que registrou o menor estoque desde o começo da pandemia, em 2020.

“O estoque segue baixo, e o varejista continua se vendo obrigado a negociar com a indústria, que ainda tenta repassar o aumento de preço por conta do aumento de insumos”, destaca o diretor de Customer Success da Neogrid, Robson Munhoz. Com isso, ele explica, “essa negociação vai ficando mais dura e acirrada e competitiva”.

“Isso acaba afetando a cadeia de abastecimento e faz registrar uma pequena curva na ruptura. Com menor poder de compra e produtos mais caros, os itens essenciais chamam mais a atenção do consumidor, que passa a comprar menos itens supérfluos, ou de indulgência”, prossegue Munhoz. “Mas, no final das contas, o próprio varejista também se abastece menos deles”.

Redação pt.org.br

Inflação se espalha e agora também chega ao guarda-roupa dos brasileiros

Após chegar às cozinhas, supermercados e postos de gasolina, a inflação agora atinge também o guarda-roupas do brasileiro. No acumulado de 12 meses até maio (último mês com dados já divulgados), os preços de roupas, calçados e acessórios somaram alta de 16,08% pelo IPCA, a maior dos últimos 27 anos, desde julho de 1995, quando o índice ficou em 18,68%.

A disparada nos preços tem provocado dificuldades diversas para a população em geral, mas especialmente para os mais pobres que ficam, inclusive, sem o que comer. Existem hoje no Brasil 33 milhões de pessoas com fome e mais de 100 milhões com algum problema de segurança alimentar.

A fome, a inflação e o alto custo de vida são preocupações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, o controle da inflação é primordial para recuperar o Brasil. “Controlar a inflação é uma obrigação para garantir ao povo trabalhador o seu poder de compra, o seu poder aquisitivo, para que as pessoas não tenham que piorar a qualidade da sua comida a cada dia”, disse, em entrevista recente.

O tema também está entre as principais diretrizes do programa Juntos Pelo Brasil: Uma delas aponta que o primeiro e mais urgente compromisso é com a restauração das condições de vida da imensa maioria da população brasileira – os que mais sofrem com a crise, a fome, o alto custo de vida, os que perderam o emprego, o lar e a vida em família.

“São esses brasileiros e brasileiras que precisamos socorrer, tanto por meio de ações emergenciais quanto por meio de políticas estruturantes, desde o primeiro minuto de um governo que será eleito para reconstruir o Brasil, superar a crise presente e resgatar a confiança no futuro”.

Em outro trecho, o programa também reforça o “compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável com estabilidade, para superar a crise e conter a inflação, assegurando o crescimento e a competitividade, o investimento produtivo, num ambiente de justiça tributária e transparência na definição e execução dos orçamentos públicos, de forma a garantir a necessária ampliação de políticas públicas e investimentos fundamentais para a retomada do crescimento econômico”.

Redação lula.com.br

Salário mínimo ideal deveria ser de R$ 6.527,67 em junho, diz Dieese

Em junho, os brasileiros que ganham o salário mínimo (R$ 1.212) precisaram trabalhar, em média, 121 horas e 26 minutos para adquirir os produtos da cesta básica, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Neste mês, o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 6.527,67, ou 5,39 vezes o mínimo de R$ 1.212,00, diz o Dieese.

A estimativa leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O valor do salário mínimo ideal é calculado com base na cesta básica mais cara do país, que em junho foi a de São Paulo (R$ 777,01), de acordo com os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Dieese.

A pesquisa, que é feita em em nove das 17 capitais brasileiras, constatou que, entre maio e junho, as maiores altas na cesta báica ocorreram no Nordeste, nas cidades de Fortaleza (4,54%), Natal (4,33%) e João Pessoa (3,36%). Oito cidades apresentaram reduções, sendo que as mais expressivas foram registradas no Sul: Porto Alegre (-1,90%), Curitiba (-1,74%) e Florianópolis (-1,51%).

Cestas mais caras

Depois de São Paulo, onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 777,01), estão: Florianópolis (R$ 760,41), Porto Alegre (R$ 754,19) e Rio de Janeiro (R$ 733,14)

Cestas mais baratas

Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 549,91), Salvador (R$ 580,82) e João Pessoa (R$ 586,73).

A comparação do valor da cesta entre junho de 2022 e junho de 2021 mostrou que todas as capitais tiveram alta de preço, com variações que oscilaram entre 13,34%, em Vitória, e 26,54%, em Recife.

No ano de 2022, o custo da cesta básica apresentou alta em todas as cidades, com destaque para as variações de Natal (15,53%), Aracaju (15,03%), Recife (15,02%) e João Pessoa (14,86%).

 Cesta x salário mínimo

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em junho de 2022, 59,68% do rendimento para adquirir os produtos da cesta, pouco maior do que o de maio, quando o foi de 59,39%. Em junho de 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual ficou em 54,79%.

Leite aumenta entre 35% a 90% nos estados, enquanto renda do trabalhador encolhe

A disparada dos preços dos alimentos essenciais é um dos assuntos mais comentados nas redes sociais desde que a inflação alcançou dois dígitos no ano passado e não parou mais de subir. A culpa, diz o povo nas postagens com fotos de produtos com preços inviáveis para o bolso da maioria, é do governo de Jair Bolsonaro (PL).  E o povo tem razão, como explicaram dois economistas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) à reportagem do Portal CUT.

Nos últimos dias, o produto que mais chamou a atenção dos brasileiros e brasileiras foi o leite integral e o tema esteve entre os mais comentados nas redes sociais. E não é para menos. O preço do litro varia, em média, de R$ 7 a R$ 10, dependendo da localização do comércio em que é vendido. Um levantamento da técnica da subseção da CUT Nacional do Dieese Adriana Marcolino, mostra a evolução dos preços do produto nos estados em que o órgão faz a pesquisa da cesta básica.

De acordo com o levantamento, o litro do leite subiu menos em Brasília, com reajuste de 35%, desde que Bolsonaro assumiu a presidência da República. O maior reajuste no mesmo período é em Santa Catarina com quase 90%. Confira abaixo os percentuais de reajustes nos estados.

Em contrapartida a renda dos trabalhadores de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), tem sido corroída pela inflação, puxada especialmente pelos aumentos dos combustíveis e dos alimentos.

Desde que Bolsonaro assumiu, em 2019, a queda foi de 8%. No primeiro trimestre daquele ano a renda média do trabalhador era de R$ 3.021,76 e no primeiro trimestre de 2022 cai para R$ 2.783,72.

Outro dado que aponta a desvalorização salarial é da pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e  Previdência. Em maio deste ano o salário médio real de admissão para quem tem carteira assinada foi de R$ 1.898, contra um valor de R$ 1.916 em abril, e de R$ 2.010 em maio do ano passado, em valores corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A queda foi de 5,6% em apenas um ano.

Foi neste governo também que acabou a Política de Valorização do Salário Mínimo, que atualizava o valor de acordo com o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), o que elevou o mínimo entre maio de 2005 e janeiro de 2016, a um aumento real acumulado de 72,98%.

O economista Dieese, Alexandre Ferraz, critica a forma como o governo vem abordando o combate à inflação que corrói o poder de compra do trabalhador. Segundo ele, enquanto o Banco Central (BC) continuar aumentando os juros para evitar mais consumo como estratégia para conter a disparada da inflação, o desemprego vai continuar alto porque os empresários não vão investir em novos negócios, nem ampliar os existentes. Em junho, a taxa básica de juros, a Selic, subiu para 13,25% ao ano. É o maior patamar desde janeiro de 2017, quando chegou a 13,75%.

Para Ferraz, a recuperação econômica tende a parar mesmo com o governo colocando mais dinheiro na economia com a ampliação de antigos auxílios e a criação de novos ao custo de mais de R$ 40 bilhões, aprovados pelo Senado.

“Quando o governo injeta recursos na economia, cada real provoca um crescimento no PIB e na demanda, vai rodar a economia, gerando emprego, renda e impostos, como foi comprovado pelo Bolsa Família. No entanto, ao aumentar os juros, o BC interrompe essa cadeia de crescimento, combatendo equivocadamente a inflação pelo consumo, e sem crescimento não há emprego e com a disponibilidade maior de mão de obra, os salários caem”, explica o economista.

Para o economista, infelizmente, a tendência até o final do ano é ainda mais inflação com os preços dos combustíveis aumentando, apesar da decisão do governo federal em reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) cobrado no valor do diesel e da gasolina.

“Os preços no exterior vão aumentar quando acabar o verão europeu, em setembro/outubro. Com a chegada do inverno, eles vão consumir mais combustíveis, até para aquecimento. Como a guerra entre Rússia e Ucrânia não se sabe quando vai acabar, a tendência é termos um final de ano bem difícil na economia brasileira”, afirma Alexandre Ferraz.

Por que o preço do leite subiu tanto?

De acordo com Patrícia Costa, coordenadora da pesquisa da cesta básica do Dieese, o aumento do leite ocorre pela estiagem forte e o inverno, período de entressafra. O clima, segundo ela, já é esperado nessa época do ano, mas contribuem para isso, os custos de medicamentos dos animais que são importados, do farelo, da soja e milho; a dificuldade com os custos dos fretes no transporte do leite do campo para a cidade e a pressão da indústria de laticínios que compra diretamente do produtor. O problema, diz Patrícia é que o governo nada fez para evitar ou minimizar os aumentos.

“Existe um gargalo desde 2020 que se sabe, que é a pouca oferta de leite da agricultura familiar porque o governo não oferece subsídios para a sua produção. O preço do leite continua subindo por ter pouca oferta. Se o governo não deixasse ao sabor do mercado essa prática, buscando aumentar a oferta, os preços não estariam nesses patamares elevados”, diz Patrícia

Um grande problema, de acordo com a pesquisadora é o fato do leite dificilmente baixar de preço. Normalmente ele se mantém ou baixa muito pouco, ao contrário de outros alimentos como o tomate por exemplo, que na entressafra pode chegar a R$ 10, o quilo, mas pode também baixar para R$ 5

“Todo produto que passa por processamento, como o leite em caixa e a manteiga que não tem toda a produção no Brasil, incorpora os aumentos e não recua”, afirma.

O trigo é outro produto que dificilmente baixa de preço por causa da importação e a taxa de câmbio com a desvalorizada moeda brasileira encarece tudo.

“O atual governo não tem uma política para a agricultura familiar, responsável por 70% do que vai à mesa do brasileiro, mas fica dando auxílio gás, caminhoneiro, emergencial e outros benefícios, que são necessários, mas,  no entanto, não se preocupa em prover alimentos essenciais como o leite. O governo não lida com a questão real que é o mercado produzir o que é mais lucrativo para ele, em detrimento de toda a sociedade”, critica Patrícia Costa.

“Quando um governo sério vê que o preço vai explodir, ele chama um grupo técnico para ver o que vai fazer. Você não pode deixar um produto como o leite, de valor nutricional indispensável para as crianças chegar neste valor”, critica a pesquisadora Adriana Marcolino, que fez o levantamento dos preços nesses três anos e meio de governo Bolsonaro.

Confira os preços e os índices de reajustes nos preços do leite desde o início do governo Bolsonaro, nos 16 estados e no DF, até maio deste ano, onde a cesta básica é pesquisada pelo Dieese.

Salvador -preço médio R$ 5,69 – reajuste de 51,33%

Brasília – preço médio: R$ 5,75 – reajuste de 34,66%

Campo Grande ­- preço médio: R$ 5,56– reajuste de 60,69%

Goiânia – preço médio R$ 5,87– reajuste de 69,16%,

Belo Horizonte – preço médio R$ 5,37 – reajuste de 66,77%

Rio de Janeiro – preço médio R$ 6,49 – reajuste de 46,50%

São Paulo – preço médio R$ 5,92 – reajuste de 49,49%

Vitória – preço médio R$ 5,97 – reajuste de 65,37%

Curitiba – preço médio R$ 5,58 – reajuste de 63,16%

Florianópolis – preço médio R$ 5,75 – reajuste de R$ 89,77%

Porto Alegre – preço médio R$ 4,98 – reajuste de 75,97%

Belém – preço médio R$ 6,22 – reajuste de 35,81%

Aracajú – preço médio R$ 5,30 – reajuste de 32,50%

Fortaleza – preço médio R$ 5,32 – reajuste de 37,47%

João Pessoa – preço médio R$ 5,57 – reajuste de 50,54%

Natal – preço médio R$ 5,50 – reajuste de 67,68%

Recife – preço médio R$ 4,92 – reajuste de 55,21%

Redação CUT

PEC do Desespero não combate a fome e não vai melhorar orçamento das famílias

A fome que assola 33 milhões de brasileiros e brasileiras não se erradicará com o aumento de R$ 400 para R$ 600 no valor do Auxílio Brasil, aprovado na semana passada pelo Senado Federal.

O aumento é das umas medidas que constam no texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Nº 01/2022, a chamada PEC do Desespero. No total, a PEC autoriza a elevação dos gastos assistenciais do governo federal, em período eleitoral, em cerca de R$ 41,25 bilhões. A PEC está sendo analisada pela Câmara dos Deputados onde pode ser aprovada ainda esta semana, de forma acelerada e sem debate, como foi a tramitação no Senado.  

De acordo análise de Francisco Menezes, consultor da Action Aid, uma organização não governamental de combate à desigualdade social, e ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), as medidas contidas na PEC têm uma série de entraves, sendo o maior deles o prazo para acabar com o adicional de R$ 200 no auxílio: 31 de dezembro deste ano, o que deixará sem o reajuste do benefício mais de 18 milhões de pessoas atendidas atualmente. Em janeiro de 2023 o valor volta a ser de R$ 400. Antes dessa decisão do Senado, o governo federal tinha dado o prazo até final do ano.

O consultor entende que além do prazo de pagamento ser curto, a alta da inflação vai corroer o poder de compra dessas famílias. Em um ano, segundo Menezes, a inflação e a não reposição de postos de trabalho perdidos, com aumento do trabalho informal, entre outros fatores, levou 14 milhões de pessoas para a insegurança alimentar grave, em apenas um ano.

Ao marcar uma data de término do auxílio de R$ 600, o governo atende parcialmente essa camada muito vulnerável e joga o problema para o futuro, sem resolver essa questão.

“Vai até dezembro e depois, como o próximo presidente eleito fará para manter o auxílio, se o atual governo vai cobrir os pagamentos com recursos da venda da Eletrobras e outros recursos que se esgotarão?, questiona Menezes.

Além do prazo curto de pagamento, o ex-presidente do Consea enumera outros problemas contidos no Auxílio Brasil que dificultam o acesso dos mais pobres ao benefício.

O recurso poderá ser automaticamente utilizado para pagar dívidas.

Para beneficiários do Auxílio Brasil, a taxa que pode ser comprometida em crédito consignado é de 40%. Essa possibilidade está contida na Medida Provisória (MP) 1106, que aumenta a margem de comprometimento de parcelas de programas sociais por crédito consignado. Neste caso, a medida aprovada primeiro, na última quarta-feira (29) pela Câmara, e ainda precisa ser analisada e votada pelo Senado.

“Num momento em que o endividamento das famílias está alto, quem recebe o auxílio é induzido a se endividar, agravando ainda mais a situação dessas famílias. Isso pode ser bom para o sistema financeiro, mas é muito perigoso para os mais pobres”, alerta Menezes.

Famílias maiores recebem o mesmo valor que famílias menores

São 18 milhões de pessoas que estão recebendo o Auxílio Brasil ainda de R$ 400, mas o valor tem um significado totalmente diferente para cada família. É injusto quem tem cinco filhos receber o mesmo do quem tem apenas um. Diferente do Bolsa Família que previa o pagamento de acordo com o número de membros e se as crianças estavam na escola.

“O governo não conseguiu, por falta de competência, uma maneira de fazer o cálculo per capita e pagar a partir disso. Isso gera injustiças ainda maiores. O poder de compra de R$ 400 é completamente diferente para uma família de uma pessoa só, ou de uma com três, ou com cinco pessoas”, afirma.

Fila vai crescer e não zerar

O governo diz que o novo valor do Auxílio Brasil será pago inclusive para as 1,7 milhão de pessoas que estão na fila do benefício. No entanto, elas já estão incluídas no cadastro. Quem não se cadastrar até a data de promulgação da emenda constitucional vai ficar de fora, gerando uma nova fila de espera.

Inscrição por aplicativos de celulares

Francisco Menezes faz uma forte crítica ao modelo de inscrição feita por aplicativo de celular. Segundo ele, quem está passando fome não tem celular e quando tem o aparelho, não tem um pacote de dados ou mesmo wi-fi. Muitos ainda de acordo com ele, moram em regiões longínquas e precisam andar quilômetros para chegar a uma localidade com sinal de internet.

“Existe um equívoco muito grande em  forçar o uso de aplicativos, ao mesmo tepo que enfraquece a tão necessária  assistência social, com drásticos cortes orçamentários deixando de fazer a busca ativa por aqueles que estão mais esses necessitados”, diz.

Programa com penduricalhos

Para Francisco, o Auxílio Brasil é um programa cheio de penduricalhos que não se justificam, nem estão sendo cumpridos, como por exemplo, a premiação para esportistas.

“Fizeram muito alarde em seu lançamento, mas até hoje não temos informações de como esse programa está sendo feito e nem quantas pessoas atingem”, critica.

O Auxílio Esporte Escolar está inserido no Auxilio Brasil. O governo anunciou no ano passado a proposta de transferência de renda que pagará R$ 400 para os inscritos na Bolsa Família e, além disto, terá um complemento de R$ 100 por 12 meses para as famílias que tiverem seus filhos competindo em Jogos Escolares.

Redação e imagem CUT

Renault confirma investimento de R$ 2 bi em nova plataforma no Brasil

Em março de 2022, a Renault deu um spoiler de que faria um novo SUV no Brasil, mas não deu detalhes sobre qual seria o nível de investimento. Agora, a fabricante francesa confirma o aporte de R$ 2 bilhões que serão destinados para a unidade de São José dos Pinhais para implantação de uma nova arquitetura e o desenvolvimento de um SUV e de um motor turbo 1.0.

O anúncio do investimento aconteceu nesta quinta-feira (30), em evento na sede do Governo do Estado do Paraná, em Curitiba. A quantia será usada na inédita plataforma CMF-B, arquitetura modular que serve a modelos como a atual geração do Clio e ao Captur europeus. Além disso, a base também possibilita a produção de modelos eletrificados.

SUV-cupê será o fruto do investimento da Renault

Para cá, a plataforma vai ser inaugurada com um novo SUV compacto de entrada da Renault. Ainda sem nome definido, o modelo terá jeitão “cupê” – como Volkswagen Nivus e o futuro Fiat Fastback – e será posicionado abaixo do Duster, no lugar do atual Stepway – a variante aventureira do Sandero.

Este futuro SUV-cupê usará o novo motor 1.0 turbo, que também faz parte do pacote de investimentos da Renault. Com três cilindros e injeção direta de combustível, o propulsor terá potência na casa dos 120 cv e trabalhará com o câmbio automático do tipo CVT que já é usado pela marca no país em modelos como Duster e Captur.

Mais utilitários esportivos no caminho

Mas a Renault não vai parar por aí. Esse investimento faz parte do Renaulution, o plano estratégico global da marca até 2025, revelado no ano passado. O programa consiste, entre outras coisas, em focar em produtos com maior valor agregado – leia-se margens mais generosas – e põe o Brasil dentro da estratégia. Para cá, eram esperados sete novos carros, mas as novas gerações do Sanero e Duster já subiram e caíram do telhado.

Certo mesmo para o Brasil é o modelo baseado no Bigster, um SUV de sete lugares para ficar posicionado acima do Captur e que já foi até confirmado pela própria marca para a América do Sul em 2024. Segundo fontes dentro da marca, também estão nos planos a terceira geração do Duster e versões híbridas de outros utilitários esportivos.

O anúncio de R$ 2 bilhões surge depois do último ciclo de R$ 1,1 bilhão anunciado em março de 2021. Este aporte foi direcionado para os lançamentos da nova geração do elétrico Zoe, do renovado Captur com motor turboflex TCe 1.3 Flex em 2021 e das atualizações das linhas Kwid, Master, Duster e Oroch

“A América Latina é de grande importância para o Renault Group e estamos investindo para oferecer nos países do continente produtos alinhados à nossa estratégia mundial”, afirma José Vicente de los Mozos, EVP Industrial do Grupo Renault.

Além do executivo, estiveram presentes no anúncio do investimento Luiz Fernando Pedrucci, presidente da Renault América Latina, Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil, e o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior.

Redação e foto automotivebusiness.com.br