Caixa libera consulta ao saque extraordinário do FGTS

Os trabalhadores já podem conferir se têm direito ao saque extraordinário de até mil reais do FGTS, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e a data que vai poder sacar o dinheiro.

Os primeiros a serem beneficiados são os nascidos em janeiro, que terão os recursos liberados no dia 20 de abril. O calendário vai até 15 de junho para os nascidos em dezembro.

Segundo a Caixa, cerca de 30 bilhões de reais serão liberados para cerca de 42 milhões de trabalhadores com direito ao saque.

A novidade é a nova versão do aplicativo do FGTS, lançada nesta sexta-feira (8), onde poderá ser consultado o valor a ser creditado e  a data de crédito na Conta Poupança Social Digital. O trabalhador poderá informar, ainda,   que não quer receber. Neste caso, o débito não vai ser realizado na conta do FGTS. Aliás, essa solicitação também pode ser feita no aplicativo. Também  poderá  ser feita a alteração cadastral para criação de conta poupança digital.

A consulta do saldo continua sendo realizada no site fgts.caixa.gov.br, nas agências da Caixa e por SMS. No site, o trabalhado  pode saber se tem direito ao Saque Extraordinário; e consultar a data de crédito na Conta Poupança Social Digital..

Se a conta não for movimentada até 15 de dezembro deste ano, a devolução dos valores devidamente corrigidos será automática.

Agência Brasil

Foto Marcelo Casal Jr – Agência Brasil

Trabalhadores entregam pauta da classe a Lula nesta quinta (14), em SP

Sindicalistas da CUT e das demais centrais sindicais vão entregar para o ex-presidente Lula nesta quinta-feira (14), na Casa de Portugal, avenida Liberdade, 602, em São Paulo, a Pauta da Classe Trabalhadora, documento unitário das centrais aprovado na Conferência da Classe Trabalhadora 2022 (Conclat-2022), em 7 abril.

O Encontro Sindicalistas com Lula será a partir das 10h, com transmissão ao vivo pelas redes sociais do ex-presidente e das centrais.

Redação pt.org.br
Foto: Poder 360

Governo Federal reduz 95% do orçamento para combate do trabalho infantil

De acordo com dados compilados pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) a partir do Siga Brasil e divulgados na coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, em 2019 foram gastos R$ 6,70 milhões para este fim e o investimento vem caindo ano a ano.

Em 2020, o valor autorizado para o enfrentamento do trabalho infantil foi de R$ 810 mil, mas apenas R$ 310 mil foram executados pelo governo. E no ano passado a gestão Bolsonaro investiu R$ 331,9 mil na área, o que corresponde a 17,7% do valor total de R$ 1,88 milhão que o governo federal havia autorizado.

Procurado pela coluna, o Ministério da Cidadania alegou que a pandemia “impôs à rede socioassistencial grandes desafios para manter os serviços e programas operantes e a rede de proteção social ativa”.

A pasta informou ainda que realizou análise do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) e constatou que “a maioria dos estados e parcelas relevantes dos municípios dispõem de recursos que ficaram em conta por motivos diversos, totalizando o montante de mais de R$ 30 milhões”.

Redação Bahia.ba

Foto Valter Campanato – Agência Brasil

Com cortes no orçamento, Bolsonaro fez o Brasil andar para trás

“O Brasil andou para trás em 2021”. A constatação é da coordenadora da Assessoria Política do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Nathalie Beghin, ao apresentar a terceira edição do estudo ‘A conta do desmonte – Balanço do Orçamento Geral da União’. Ao revisar os primeiros três anos de desgoverno Bolsonaro, a pesquisa do Inesc revela que o esvaziamento dos investimentos sociais iniciado com a política de teto de gastos de Michel Temer transformou-se em demolição com Jair Bolsonaro.

“Ao alimentar uma falsa dicotomia entre vida e economia, mas sem ‘salvar’ nenhuma delas, o mandato de Jair Bolsonaro: deixou mais de 660 mil pessoas morrerem de Covid-19 – boa parte dessas mortes evitáveis –, jogou milhares na extrema pobreza e no desemprego, e baixou consideravelmente o poder de compra das(os) trabalhadoras(es) ao deixar a inflação descontrolada”, enumera Beghin.

“Cortar o orçamento para os empobrecidos, apenas para validar uma política fiscal austera, é desresponsabilizar o Estado de sua obrigação de promover e garantir direitos e uma vida digna para a população que mais precisa”, conclui Livi Gerbase, assessora política do Instituto. Para ela, os prejuízos da “gestão” Bolsonaro no cenário econômico chegam a configurar uma nova década perdida tão nefasta como as dos anos 1980, que apagou as luzes da ditadura militar.

A instituição apresentou três recomendações para reverter a deterioração da economia. Elas passam pela eliminação do Teto de Gastos e revisão das regras fiscais, expansão das políticas de geração de emprego e renda e extinção do Orçamento Secreto, com limites às emendas de relator para assegurar transparência nos gastos públicos.

“Entre 3 anos, o Brasil retrocedeu no combate à desigualdade, uma conquista que demorou décadas. O que o mundo já sabia, devido ao caos que é a gestão Bolsonaro, agora é comprovado em estudo. Em outubro, é obrigação dos patriotas tirar este homem do poder”, conclamou o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), em postagem no Twitter.

Destruição generalizada

O desfinanciamento acelerado interrompeu ou no mínimo prejudicou políticas públicas e fez o Brasil retroceder no combate às desigualdades e na preservação dos direitos humanos, conclui o estudo. Os exemplos do desmonte orçamentário promovido pelo desgoverno Bolsonaro nos gastos sociais surgem em várias pastas.

No pior ano da pandemia (2021), os recursos do Ministério da Saúde para enfrentar a Covid-19 caíram 79% em relação a 2020. Para 2022, o orçamento autorizado, incluindo créditos extraordinários, é de R$ 11,8 bilhões, ou menos de 10% do gasto em 2021.

A Saúde como um todo perdeu entre 2019 e 2021 R$ 10 bilhões em termos reais (subtraídas as verbas destinadas à crise sanitária). Para 2022, continuará perdendo, com a dotação inicial de R$ 149,4 bilhões, valor 18% menor que a execução financeira de 2021. São R$ 32,88 bilhões a menos no setor.

O desfinanciamento da Educação, que vem sendo denunciado desde o primeiro Balanço Geral do Orçamento da União, também se agravou. A execução financeira da função Educação, entre 2019 e 2021, caiu R$ 8 bilhões em termos reais. O valor autorizado para 2021 foi R$ 3 bilhões maior que o de 2020, mas a execução financeira foi menor.

O orçamento da educação infantil foi reduzido em mais de quatro vezes em três anos. No ensino médio, além de metas não terem sido cumpridas, as escolas serão obrigadas a incorporar uma reforma da qual não participaram, mesmo sem recursos adicionais para recuperar as defasagens do ensino remoto. Segundo o Inesc, essa medida “carece de plano de ação do MEC para fortalecimento das escolas, o que nunca ocorreu nesse governo, que parece mais interessado em impor políticas fundamentalistas.”

O ensino superior, atacado sistematicamente pelo desgoverno Bolsonaro, perdeu R$ 6 bilhões em três anos. Em 2022, perderá mais R$ 1 bilhão. “A análise nos detalhes demonstra o descaso desse governo com a educação pública”, avalia a instituição.

Em três anos, o orçamento do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, chefiado pela agora candidata Damares Alves, foi reduzido em mais de oito vezes. Os recursos dispendidos com ações voltadas para as mulheres caíram 46% de 2020 para 2021. A execução das verbas destinadas ao sistema socioeducativo, já exíguas, encolheu 70% entre 2019 e 2021.

Em 2021, o ministério de Damares Alves gastou cerca de oito vezes menos recursos para a promoção da igualdade racial do que em 2019. “Os gastos são tão irrisórios que confirmam o desprezo que o governo tem em relação à temática racial”, aponta o Inesc.

A habitação de interesse social não recebeu recurso entre 2020 e 2021, mesmo com um déficit habitacional de mais de 6 milhões de moradias. Entre 2019 e 2021, a área de assistência para crianças e adolescentes perdeu R$ 149 milhões, valor equivalente a 39% do gasto em 2021.

O dinheiro executado pela Funai, que deveria garantir proteção territorial e fazer avançar a demarcação de terras indígenas, foi utilizado para beneficiar invasores. As políticas ambientais sofreram com a nomeação para cargos de confiança de pessoas sem experiência e capacidade para conduzir políticas de fiscalização territorial.

E assim Bolsonaro vai cumprindo o que prometeu em março de 2019, durante um jantar com líderes da direita ianque em Washington: “O Brasil não é um terreno aberto, onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. “Nós temos de desconstruir muita coisa, de desfazer muita coisa para depois recomeçarmos a fazer.”

Redação pt.org.br

Rendimento do trabalhador cai a níveis históricos

As perspectivas para os próximos meses apontam para aceleração inflacionária disseminada por toda a economia. A carestia continuará correndo a renda e reduzindo o poder de compra dos salários, que despencam no abismo da desregulamentação do trabalho promovida desde Michel Temer e aprofundada por Bolsonaro e Guedes.

No ano passado, 47% das categorias de trabalhadores analisadas pelo Dieese sequer conseguiu recompor as perdas com a inflação. O número é cinco vezes maior do que a média registrada em 2018: 9%. Em fevereiro, 60,5% das categorias tiveram reajustes abaixo da inflação, o pior resultado para um mês pelo menos desde 2008, quando o Dieese começou a analisar um conjunto fixo de categorias.

Pesquisadores da PUC-RS, do Observatório das Metrópoles e da Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) identificaram no último trimestre de 2021 a menor renda média nas regiões metropolitanas do país desde o início da série histórica, em 2012: R$ 1.378. No trimestre anterior, também foi registrada queda.

“Estamos chegando a um nível de desigualdade que é similar àquele anterior à pandemia, mas numa sociedade mais empobrecida, com uma renda média bem mais baixa. Está todo mundo mais pobre”, disse ao G1 Andre Salata, pesquisador da PUC-RS e coordenador do estudo, produzido a partir dos dados da PNAD Contínua trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Também coordenador do estudo, o professor da UFRJ Marcelo Ribeiro aponta que a recuperação da renda, principalmente dos mais pobres, depende de uma retomada econômica anunciada há anos, e não alcançada. “Sem um processo efetivo de recuperação da atividade, dificilmente vamos ter uma economia capaz de gerar emprego e distribuir remuneração suficiente para aumentar o nível de renda das pessoas em geral”, ressaltou.

Professora e economista da Unicamp, Marilane Teixeira disse ao Brasil de Fato que o déficit já estrutural de postos de trabalho tem relação “com a incapacidade do governo de criar empregos para quem necessita”.

“A economia não se recuperou por falta de investimento públicos e o setor privado não tem como alavancar a atividade econômica como defende a equipe de Bolsonaro. Para gerar emprego é preciso política pública do Estado”, afirma a especialista em mercado de trabalho. “Sem investimento público, sem obras de infraestrutura, de moradia, enfim, sem o Estado atuar como indutor do crescimento, a roda não gira e atinge mais os mais pobres.” Com Bolsonaro e Guedes, a roda continuará emperrada.

Redação PT.org.br

Lula chega a 25ª vitória judicial e MPF pede novo arquivamento

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou nesta segunda-feira (11) que fosse arquivada mais uma investigação aberta contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, a vitória se refere à investigação acerca de acusação por obstrução da Justiça contra Lula, a ex-presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro Aloízio Mercadante

Com esse pedido de arquivamento, o ex-presidente chega a 25ª  vitória judicial, que soma decisões favoráveis em todos os processos que tramitavam contra ele. A denúncia em questão foi remetida à primeira instância e encerrada após seis anos de investigação pela ausência de elementos que pudessem justificar acusação.

Para os advogados de Lula, Cristiano Zanin e Valeska Teixeira “é muito significativo ver mais uma investigação indevidamente aberta contra o ex-presidente Lula ter pedido de arquivamento do próprio Ministério Público Federal, diante da inexistência de qualquer elemento que pudesse configurar a prática de ato ilícito. Trata-se de caso emblemático, uma vez que, após uma denúncia descabida apresentada pelo ex-Procurador Geral da República ao STF, o caso foi remetido à primeira instância e após quase seis anos de investigação o MPF não identificou qualquer elemento que pudesse justificar uma acusação”, disseram em nota conjunta.

Ainda de acordo com os advogados, “a hipótese acusatória formulada partia da premissa da existência de uma organização criminosa, acusação falsa arquitetada indevidamente pela “lava jato” e que foi definitivamente afastada pela Justiça, por meio da sentença transitada em julgado que absolveu Lula e outras pessoas no processo que ficou conhecido como “quadrilhão”.

Cristiano Zanin e Valeska Teixeira afirmam ainda que a situação confirma que Lula foi vítima de lawfare, que consiste no uso estratégico das leis para a obtenção de fins ilegítimos, neste caso para interferir no cenário político do país.

Redação Bahia.ba

Foto Ricardo Stuckert – Ascom Lula

Brasil segue com desemprego recorde e queda na renda

A cada sondagem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cristaliza-se a estagnação econômica causada pela “gestão” desastrosa de Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes. E a anomia do mercado de trabalho se revela mais uma vez na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Privado de políticas públicas de geração de emprego, o país mantém os 12 milhões de desempregados com que encerrou 2021.

O levantamento referente ao trimestre móvel de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022 foi divulgado no final de março. Nele, a taxa de desocupação chega a 11,2%, ou menos 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2021 (11,6%). A população desocupada recuou 3,1% (menos 389 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (12,4 milhões de pessoas), e cá estamos de volta aos 12 milhões.

“No trimestre encerrado em fevereiro, houve retração da população que buscava trabalho, o que já vinha acontecendo em trimestres anteriores. A diferença é que nesse trimestre não se observou um crescimento significativo da população ocupada”, afirma a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Embora em um ano cinco milhões de pessoas tenham ingressado na força de trabalho – agora estimada em 107,2 milhões – o contingente de pessoas ocupadas (95,2 milhões) continua o mesmo do trimestre encerrado em janeiro de 2022. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) é estimado em 55,2%. No mesmo trimestre do ano passado, estava em 51,1%.

Já a queda do rendimento real habitual do trabalhador foi de 8,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O valor caiu de R$ 2.752, em fevereiro de 2021, para R$ 2.511, um ano depois. É o menor já registrado em um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. A massa de salários em circulação na economia encolheu 0,2%, ou R$ 550 milhões, para R$ 232,594 bilhões.

Porém, a pesquisadora do IBGE identifica um ponto fora da curva nos rendimentos em fevereiro: a ligeira alta que encerrou a trajetória de cinco trimestres de quedas. “Tem um pouco de efeito de composição de população ocupada mexendo no rendimento nominal”, afirma. “Embora o rendimento médio em termos reais tenha ficado estável, com uma variação apenas de 0,3%, o nominal nesse mesmo período expandiu 2,7%. Então, se não fosse o efeito da inflação, o rendimento real teria até crescido.” Culpa de Bolsonaro e Guedes, para a maioria da população.

Subutilizados ainda são 27,2 milhões

A pesquisa do IBGE também revela que ainda falta trabalho suficiente para 27,251 milhões de pessoas. É o contingente da taxa composta de subutilização da força de trabalho, formada pela taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e a taxa da força de trabalho potencial – pessoas que não buscam emprego, mas estariam disponíveis para trabalhar.

Por outro lado, o contingente de trabalhadores por conta própria caiu 1,9% (488 mil pessoas) em comparação com o trimestre encerrado em novembro. “Essa retração foi bem disseminada entre atividades como comércio, construção e alojamento e alimentação. Como esse grupo representa uma parte significativa dos trabalhadores informais, houve um reflexo direto na diminuição da informalidade”, analisa Adriana.

Com esse recuo, os profissionais informais totalizaram 38,3 milhões, enquanto eram 38,6 milhões no trimestre anterior. Acompanhando a queda, a taxa de informalidade passou de 40,6% para 40,2% no período. Essa categoria reúne o trabalhador sem carteira assinada, o empregador e trabalhador por conta própria sem CNPJ e o trabalhador familiar auxiliar, ainda estimado em 5,7 milhões de pessoas.

Entre as atividades pesquisadas, só houve aumento de ocupação em Outros serviços (4,0%, ou mais 189 mil pessoas). “Esse crescimento reflete o aumento de serviços pessoais prestados às famílias, que incluem atividades de serviços na área de estética, e também de atividades recreativas”, explica a pesquisadora. Já no setor de Construção, o contingente de trabalhadores diminuiu 3,5% (- 261 mil pessoas).

Na Carta de Conjuntura divulgada nesta segunda-feira (28), técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelaram que o mercado de trabalho chegou ao quarto trimestre de 2021 com proporção recorde de desemprego de longo prazo. Mais de 30% dos 12,1 milhões de desempregados estavam em busca de uma vaga havia dois anos ou mais, maior porcentual da série histórica da instituição, iniciada em 2012.

O percentual, que estava em 23,5% no primeiro trimestre de 2021, subiu a 25,7% no segundo trimestre e a 28,9% no terceiro trimestre, até atingir o patamar de 30,3%. “Em que pese a melhora no dinamismo da ocupação, o aumento do tempo de permanência no desemprego mostra que a situação do mercado de trabalho continua desafiadora”, apontaram os pesquisadores.

No dia seguinte (29), a Pesquisa Datafolha revelou que 24% dos brasileiros não vêm tendo comida suficiente para alimentar as famílias nos últimos meses. A insegurança alimentar atinge principalmente os mais pobres. Entre os que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.424) por mês, 35% disseram que a comida não foi suficiente. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos (R$ 6.060), o percentual é de 13%.

Entre os desempregados, 38% disseram que não tiveram comida suficiente. A insuficiência alimentar também atingiu 26% dos trabalhadores autônomos, 20% dos assalariados sem registro formal e 28% dos desocupados que não buscam emprego.

Redação PT.org.br, com Imprensa IBGE

Lula: “Falta previsibilidade, credibilidade e colocar a economia para andar”

Em entrevista à Rádio Jangadeiro Band News de Fortaleza, no último dia 7, Lula lembrou que, para conter a inflação, é preciso haver previsibilidade, credibilidade e colocar a economia para andar, e tudo isso está em falta no Palácio do Planalto. “Não temos uma inflação de consumo, 50% são pelos preços administrados pelo governo, preços que o governo poderia controlar e não está controlando”, apontou.

Lula criticou ainda a suspensão da construção de refinarias e disse que os preços dos combustíveis precisam ser “abrasileirados”, porque o país é autossuficiente. “Quando fatiaram a BR Distribuidora, disseram que iria ter mais concorrência. Hoje temos 392 empresas importando gasolina e vendendo a preço internacional”, afirmou.

“Hoje, as pessoas estão comendo menos, comprando menos, com baixa renda, desempregadas, a carestia voltou, a fome voltou no Brasil. Um país que é produtor de alimentos ter 19 milhões de pessoas num estado de fome, isso não pode acontecer”, disse a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), em entrevista à Globo News no dia seguinte à conversa de Lula.

A volta da carestia, palavra que havia caído em desuso, e da fome, que havia sido reduzida ao piso histórico antes do golpe, ocorre por obra de Jair Bolsonaro, que em seu primeiro dia de mandato extinguiu com uma canetada o Conselho Nacional Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), recriado por Lula em 2003.

Bolsonaro também fechou as portas da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, iniciando um período de perseguição às cadeias de produção com base na agricultura familiar, responsáveis pela maior parte dos alimentos que chegam à mesa das famílias. Acabou com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e fez as áreas plantadas com feijão, arroz e mandioca caírem ao menor nível desde 1976.

E não extinguiu, mas zerou os estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e abriu mão de mediar preços da cesta básica por meio da Conab, abandonando as populações mais pobres à “lei do mercado”. Em julho de 2010, sob Lula, a Conab chegou a ter mais de 5,5 milhões de toneladas de milho armazenadas. Em 2012, sob Dilma Rousseff, eram 1,5 milhão de toneladas de arroz armazenadas.

O ataque ao Sistema Petrobras também foi voraz. O desgoverno Bolsonaro fechou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) no Paraná, não concluiu a fábrica do Mato Grosso do Sul e paralisou atividades em outras duas fábricas, uma em Sergipe e outra na Bahia, para depois arrendá-las. Com isso, tornou o Brasil completamente dependente de insumos agrícolas importados. Em 2006, sob Lula, o país importava 58% da demanda por fertilizantes de seus agricultores e produzia 42%.

A maior distribuidora de combustíveis do Brasil (BR) foi fatiada na Bovespa, assim como uma série de ativos da Petrobras. A primeira refinaria do país, Landulpho Alves (RLAM), criada em 1950 após a descoberta de petróleo que gerou a Petrobras, hoje não pertence mais ao povo brasileiro, e vende seus produtos mais caros que a própria estatal.

Redação pt.ogr.br

Entreguismo de Bolsonaro expõe país à inflação e povo à fome

A atitude destrutiva de Jair Bolsonaro diante de instituições e políticas públicas de segurança alimentar construídas em 13 anos de governos do PT deve impor um alto preço sobre a população, notadamente as famílias mais pobres, ao longo de 2022. E os efeitos do tsunami global que se aproxima, de escala semelhante ao que Luiz Inácio Lula da Silva transformou em “marolinha” em 2010, agora serão agravados pela desastrosa condução da política econômica pelo ministro-banqueiro Paulo Guedes.

Como a tempestade perfeita, problemas recorrentes no Brasil desde o golpe de 2016 – inflação galopante, desemprego e precarização do trabalho, queda continuada de renda e a volta da fome – são amplificados, ao fim de dois anos de pandemia, pelo conflito no Leste Europeu. Os dois fatores elevaram os preços de alimentos a um nível jamais registrado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O indicador do organismo da ONU alcançou média de 159,3 pontos em março, uma alta de 17,9 pontos (12,6%) ante fevereiro. Em um ano, saltou 34% para atingir o maior patamar já alcançado desde o início da avaliação, em 1990.

A alta foi liderada pelos aumentos dos subíndices de preços de óleos vegetais, carnes e cereais. Estes últimos subiram 24,9 pontos (17,1%) em relação a fevereiro e registraram média de 170,1 pontos, maior patamar desde 1990. Os subíndices de preços de açúcar e de laticínios também avançaram significativamente.

“A perda esperada de exportações da região do Mar Negro exacerbou a já restrita disponibilidade global de trigo”, destacou a FAO. Preços globais de milho, cevada e sorgo também atingiram os níveis mais altos desde 1990, impulsionados pelas restrições à exportação da Ucrânia. “Os elevados custos de energia e fertilizantes sustentaram ainda um aumento de 19,1% nos preços mundiais do milho mês a mês”, pontua a organização.

No Brasil depredado pelo bolsonarismo, alimentos e bebidas subiram 2,42% em março e se somaram a transportes (3,02%) para compor 72% do maior Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês desde 1994. Da mesma forma, se unem em um ciclo infernal de influência direta do preço dos combustíveis, dolarizados pela Petrobras após o golpe de 2016, sobre os alimentos. Assim tem sido nos últimos anos.

Fazer as compras do supermercado ficou em média 31,5% mais caro desde o começo de 2020, conforme os dados de alimentação em domicílio do IPCA. Das 50 maiores altas, 42 são alimentos. E comer fora de casa ficou até 27% mais caro no período, apontou pesquisa do Procon-SP em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese).

“Foram dois anos bem atípicos, com aumentos muito expressivos e em categorias que pesam muito para as famílias, como os alimentos”, explica Juliana Inhasz, professora da faculdade de economia e negócios Insper, na CNN.

Ao mesmo tempo, a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), implementada pelo entreguismo na Petrobras, resultou em gás encanado (30,3%), gás veicular (41,7%), gasolina (44,6%), etanol (47,1%), botijão de gás (46%) e diesel (47%) reajustados em nível acima da já absurda inflação de dois dígitos de Bolsonaro-Guedes.

Redação pt.org.br

Precarização avança em mercado de trabalho estagnado

A pífia retomada dos níveis de ocupação no país se dá às custas da queda generalizada de rendimento e do avanço da precarização. É o mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país ainda tem 12 milhões de desempregados, 27,8 milhões de trabalhadores em subocupações, 4,8 milhões de desalentados e 64,9 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho.

A taxa de desocupação foi a 11,2% no trimestre encerrado em janeiro, menos do que em outubro (12,1%) e do que há um ano (14,5%), mas 0,1 ponto percentual acima do trimestre encerrado em dezembro (11,1%). O total de ocupados subiu 1,6% (1,5 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior e 9,4% (8,2 milhões) ante o mesmo período de 2021, para 95,428 milhões de trabalhadores. O nível de ocupação subiu para 55,3%, abaixo dos 56,5% registrados em dezembro de 2019, antes da pandemia.

Em contrapartida, o rendimento real habitual voltou a cair: menos 1,1% em relação ao último trimestre e uma queda ainda maior, de 9,7%, frente ao mesmo período de 2021. A média no trimestre encerrado em janeiro ficou em R$ 2.489.

Entre trimestres, nenhuma categoria apresentou alta no rendimento. Na indústria, houve queda de 4,1% (ou menos R$ 102). As perdas salariais atingiram ainda o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 2,1%, ou menos R$ 76 no contracheque.

No acumulado em 12 meses, o resultado é bem pior. A queda atingiu tanto trabalhadores formalizados (-7,1%) quanto os sem carteira (-9,1%). Ocupações de menor renda, como trabalhador doméstico (-3,1%) e por conta própria (-2,7%), sofreram perdas, mas elas atingiram com força a indústria (-14,5%) e o comércio (-6%), um dos principais empregadores.

A massa de rendimentos (R$ 232,594 bilhões) ficou estável em ambas as situações, mesmo com o avanço do número de ocupados. Isso sinaliza maior número de trabalhadores dividindo uma massa salarial estagnada.

“A retração dos rendimentos, que costuma ser associada ao trabalhador informal, esteve disseminada para outras formas de inserção e não apenas às relacionadas à informalidade”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Embora haja expansão da ocupação e mais pessoas trabalhando, isso não está se revertendo em crescimento do rendimento dos trabalhadores em geral.”